quinta-feira, 8 de novembro de 2018

A visão apaixonada pelo Caminho da Fé.


Em passado recente, publiquei a síntese da peregrinação no Caminho da Fé, encampada por sete amigos e dois colaboradores que conduziram os veículos e nos apoiaram no decorrer da jornada.
Serra da Mantiqueira
Hoje, seguindo a linha "guest post", trago a resenha com a visão apaixonada pelo Caminho da Fé, desenhada pelo amigo Eduardo Rodrigues, 65 anos, natural de Crateús – CE, residente em Brasília há 43, e corredor de rua desde 1981.

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No mês de novembro de 2017 - eu, Samuel Luiz Toledo e Sebastião Pereira dos Santos, percorremos o Caminho da Fé, com o apoio de Lucas Toledo, filho do Samuel, que nos acompanhou durante todo o trajeto, de carro.

A rigor, o Caminho da Fé é a opção de peregrinação para os católicos rumo ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida, na cidade de Aparecida do Norte, SP. O percurso foi inaugurado em 2003, inspirado no Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. Em linhas gerais, o trajeto liga municípios de São Paulo a cidade de Aparecida do Norte, tendo sua sede em Águas da Prata, SP.

A ideia da peregrinação com bicicletas surgiu em nossa viagem de regresso a Brasília, fato que me levou a comprar uma bicicleta já no mês seguinte: dezembro de 2017, exclusivamente para iniciar os treinos, uma vez que pedalar, não fazia parte da minha rotina de atividades físicas.
Caminho da Fé
O assunto voltou a ser debatido no início de 2018, quando voltamos à Serra da Mantiqueira para outra participação na Ultramaratona das Montanhas - BR 135 (135 milhas ou 217 Km).

No decorrer daquela viagem, ficou definido o período da nova peregrinação (22 a 25 de outubro); a quantidade de dias (4 dias); a inclusão da subida ao Pico do Gavião (+ 8 Km no roteiro). Assim, além de respirar a atmosfera do Caminho da Fé, permitiria aos participantes de primeira viagem, conhecer o ponto turístico na divisa de São Paulo e Minas.

Após o retorno da BR135, o próximo passo foi convidar amigos do mundo da corrida e que têm o ciclismo como seu segundo esporte. O Samuel, como sempre, ficou responsável por todo o planejamento estratégico e também pela convocação dos peregrinos para a jornada. As 8 vagas foram logo preenchidas e tivemos fila de espera para eventuais desistências.

Na sequência, debatemos sobre a logística para deslocar atletas e equipamentos - bicicletas - até Águas da Prata. Inicialmente, cogitamos alugar Van, todavia, a hipótese de chuva em alguns trechos do caminho, indicavam que veículos 4 x 2 não passariam nos locais extremamente complicados - descidas e subida insanas.

Para o transporte das bicicletas, pensamos estruturar uma carreta reboque, entretanto, novamente a ideia não prosperou. Um pouco adiante, encontramos profissional que desenvolve e constrói estruturas para o transporte de bicicletas.

Neste sentido, buscamos conhecer e testar os equipamentos nas duas caminhonetes 4 x 4 que seriam utilizadas, considerando sobretudo: - 1) o peso das bicicletas; 2) o deslocamento com mais de mil quilômetros de distância; 3) a velocidade que poderia ultrapassar os 120 quilômetros por hora.
segurança para as bicicletas
Encomendamos e instalamos 2 conjuntos para duas caminhonetes; e com bastante antecedência, realizamos os testes nos deslocamentos com as bikes para os treinos nos estradões de terra nas proximidades de Brasília.

No dia 21 de outubro, às 5:30 da manhã, partimos com destino a Águas da Prata (SP). Na minha caminhonete seguiram: eu, Marcos Dangelo, Ricardo Portugal e Sebastião dos Santos, esse último, participante da aventura do ano anterior. Às 6 horas, paramos num posto de gasolina na saída sul da cidade para encontrarmos o grupo que iria no carro com o Samuel Toledo, que incluiria o Dionísio Silvestre, o Júlio Cesar e o Lucas Toledo. Para nossa surpresa, o Lucas não estava presente. Talvez não tivesse acordado depois de uma balada na noite anterior. Coisas da juventude.
Eduardo, Ricardo, Sebastião e Marcos
Chegamos a Águas da Prata no finalzinho da tarde, depois de rodar cerca de 900 quilômetros.

Seguimos direto à sede do Caminho da Fé para a retirada das credenciais de peregrinos, uma espécie de passaporte que deve ser carimbado nas pousadas e hotéis ao longo do caminho, demonstrando para a Secretaria do Santuário de Nossa Senhora Aparecida que você percorreu o caminho. Assim, ao completar a jornada, será emitido o certificado ao peregrino.

Preenchidos os papéis e recebidas as credenciais, passamos no mercado, na própria Águas da Prata, para a compra de itens para alimentação e hidratação. Em Seguida, nos dirigimos à cidade vizinha, São João da Boa Vista, para nos alojarmos no Hotel Mansão dos Nobres, onde normalmente nos hospedamos quando da nossa participação na BR135. Saímos para jantar no restaurante Casarão, velho conhecido dos corredores da BR.
Restaurante Casarão
Primeiro dia do caminho - No dia 22 de outubro, às 7 horas, nos encontramos com os motoristas Bruno e Júlio, colaboradores contratados para nos apoiar, dirigindo os carros durante os 4 dias da nossa jornada. A essa altura já havíamos tomado o café da manhã e seguimos novamente para Águas da Prata, de onde partiríamos para a jornada. Por volta de 8h20m, com tudo pronto e imagens registradas, iniciamos empreitada.
Águas da Prata
A festa não durou muito, porque as subidas já começaram com menos de 500 metros do ponto de partida. O planejado era chegarmos a Ouro Fino, MG - perfazendo 81 quilômetros. Para isso, tínhamos objetivos específicos a serem atingidos para fechar a meta do dia.

O primeiro objetivo era chegar ao Pico do Gavião, a cerca de 17 quilômetros. Nesse trecho, saímos de uma altitude de 830 metros, em relação ao nível do mar, na cidade de Águas da Prata, para 1663 metros no topo do pico. São mais 800 metros em apenas 17 quilômetros. Um grande desafio para um neófito no mundo do mountain bike. A maior parte do percurso é de subidas, mas a coisa pega mesmo nos 600 metros finais. Apenas o ciclista Júlio Cesar, com toda a sua experiência e montado na bicicleta de fibra de carbono e com uma relação “top”, conseguiu subir esse trecho pedalando. Mas tudo isso valeu a pena porque a vista lá de cima é deslumbrante, maravilhosa.

Pico do Gavião é uma elevação montanhosa localizada na Serra da Mantiqueira, na divisa dos municípios de Andradas (MG) e Águas da Prata (SP). Considerado como um dos melhores locais do mundo para a prática de voo livre, a vista a partir do alto dos seus 1 663 m de altitude contempla várias cidades da região. Já recebeu etapas de campeonatos nacionais e internacionais.

Os registros fotográficos do grupo no Pico do Gavião foram feitos e o retorno ao Caminho da Fé era anunciado: hora da descida até a base; retomando o trajeto para a cidade de Andradas - cerca de 27 quilômetros. Embora já tenha passado naquela estrada várias vezes, correndo, caminhando ou mesmo de carro, minha expectativa ou ilusão era de que nesse trecho teríamos praticamente apenas descidas. Ocorre que não é bem assim.
Pico do Gavião
Nos primeiros 10 ou 12 quilômetros pedala-se por um terreno com alternância de subidas e descidas, comprometendo, de certo modo, o ritmo no pedal. Apenas nos últimos 8 quilômetros, nas cercanias de Andradas, é que a descida se apresenta com vontade.
segue a seta!!!
Nesse trecho, pegamos uma estrada mal cuidada, com descidas que considero das mais técnicas e difíceis do caminho, além de declives muito fortes. Em praticamente todo o trecho você roda sobre cascalho solto, pedregulhos e valas feitas pela ação das chuvas, literalmente, a bicicleta quer “desembestar” morro abaixo e são os freios a salvação da lavoura, que seguram a onda da bichinha na estrada.

Ao concluir a descida as pastilhas do freio traseiro da minha bike tinham virado pó. O barulho era de ferro no ferro. Na cidade de Andradas paramos, nos reagrupamos e resolvemos, almoçar até porque ainda faltavam mais de 40 quilômetros de estrada para vencer a meta do dia, alertando que ainda havia dois grandes desafios à frente: 1) a Serra dos Limas; e 2) as subidas da Barra que dão acesso a cidade de Ouro Fino.

Após o almoço, fizemos a travessia da cidade, seguindo as setas amarelas identificadoras do caminho, seguimos por uma estrada de asfalto com aproximadamente quatro quilômetros e a seguir, retornamos aos estradões de terra batida, numa região de cultivo de uvas para a produção vinho, onde há vinícolas instaladas.

Em pouco tempo estávamos iniciando a subida da Serra dos Limas - extensa e difícil. O que facilita um pouco é que os últimos 1.200 metros da subida são asfaltados, para facilitar o trânsito de carros na estação chuvosa.

A Vila da Barra encontra-se seis quilômetros adiante, encravada num verdadeiro buraco, nas entranhas da Serra da Mantiqueira. Por vezes, questiono como os moradores fazem para sair de lá na época das chuvas. Para nós, as descidas pareciam intermináveis e com declives muito acentuados, com muitas valas e o terreno argiloso - quando molhado: extremamente escorregadio!!!
Eduardo Rodrigues
A primeira subida, na saída da Barra, chama-se Subida do Sabão e tem uma inclinação positiva que beira os 30%. Não houve alternativas: - nossos aventureiros empurraram suas bikes. Após essa subida, antes de enfrentarmos a próxima subida, atravessamos um córrego de águas cristalinas onde o Silvestre fez questão de fazer registro fotográfico de todos os demais ciclistas.





A seguir, chegamos a Crisólia, um dos principais distritos da cidade de Ouro Fino, estabelecida a seis quilômetros da sede do município. No trevo de acesso a Ouro Fino, há um grande pórtico em homenagem ao Menino da Porteira, cantado na música homônima, no mundo da música sertaneja, parada obrigatória para os registros fotográficos.
Monumento Menino da Porteira
Imagens captadas, seguimos em busca de uma oficina de bicicletas para a troca das pastilhas de freio da minha bike e depois à procura de pousada para passarmos a noite. A escolha recaiu sobre a Pousada Don Paolo, a mesma que nos hospedamos no ano anterior.

Devidamente instalados, conseguimos um excelente restaurante para o jantar. A seguir, cansados, fomos dormir cedo para permitir um descanso adequado ao corpo.

Às 5:30 o café da manhã foi servido, permitindo começar a jornada mais cedo do que o dia anterior, considerando que teríamos três grandes serras para escalar, somando-se o cansaço do dia anterior - resumo da ópera: - o dia prometia ser muito duro!!!

Em jornadas dessa magnitude, de longa distância, seja a pé ou mesmo de bike, o primeiro dia é crucial para a continuidade da aventura, até porque, por mais que se tenha treinado, não há comparação com a realidade enfrentada da estrada.
nos vemos no caminho!!!
No meu caso específico, senti que no primeiro dia fui um tanto quanto irresponsável, vez que pedalei com a pulsação acima da linha de conforto. Sem sombra de dúvidas, aquilo me preocupou, porque ainda teríamos três dias pela frente, com desafios maiores do que os do primeiro dia. O mote é temperança, pedalar sem pressa para ir longe e preservar a continuidade da aventura.
segundo dia
Segundo dia do Caminho - Às 6:40 seguimos para Inconfidentes - nove quilômetros separam as cidades, um trecho sem muitas dificuldades, onde o grupo seguiu tranquilo e sereno. Na sequência, Borda da Mata, cerca de vinte quilômetros adiante. Naquele trecho, enfrentamos subidas difíceis, algumas que obrigaram a maioria dos ciclistas a empurrar a bike. Por volta das nove horas estávamos aportando na praça da matriz de Borda Mata.
Marcos, Sebastião e Ricardo
Antes de chegarmos à praça, um fato pitoresco aconteceu: - enquanto pedalávamos pelas ruas, calçadas por paralelepípedos - eu, Júlio Cesar, Tião - começamos a escalar uma subida íngreme e difícil, quando uma senhora interrompeu sua caminhada e comentou: - Quero ver quem vai dar conta de subir o morro montado!!! - Para nossa alegria, todos conseguiram subir pedalando!!!

Os carros de apoio estavam na praça, aguardando o grupo para hidratação e continuidade da rota para a cidade de Tocos do Moji, 17 quilômetros à frente, outro trecho onde existem subidas muito difíceis e longas, com cerca de 3 quilômetros.
Quase pontos turísticos: a Porteira do Céu e o mato burro; 
Quase um ponto turístico, as subidas terminam no “mata burro” - ao lado da parada do peregrino e de uma cancela de madeira com a inscrição Porteira do Ceú. Apenas nove quilômetros separam aquele local do centro da cidade de Tocos do Moji. No trajeto, há uma descida acentuada logo na saída da porteira. Nessa descida o nosso capitão Samuel Toledo perdeu o controle da Bike e foi ao chão. Era a terceira queda. As duas anteriores ocorreram no primeiro dia do caminho.
Samuel, Ricardo e Julio
Cerca de dois quilômetros antes de chegar a Tocos eu não observei a seta de “entrada à Direita” e errei o caminho indo chegar à cidade por outra entrada, aumentando o meu percurso em cerca de dois quilômetros. Na cidade, encontrei o Ricardo Portugal trocando a câmera furada do pneu de sua bicicleta, auxiliado pelo Júlio César.

Imediatamente, em razão do horário, procuramos local para almoçar, encontrando-o na rua paralela ao percurso oficial onde os peregrinos passam. Aguardamos a chegada do último ciclista, que estava escoltado por uma das caminhonetes.

Naquele momento, sentimos falta do Sebastião - que a exemplo do meu acontecimento - também errou o caminho, foi avisado por morador da região e retornou ao local do erro, ficando naturalmente para trás. Neste intervalo, os demais integrantes estavam no interior do restaurante, na rua paralela ao percurso oficial e fora da rota, o que o impossibilitou de nos avistar.

Na busca de solução para o sensor de cadência do Garmin da minha Bike, esqueci meus óculos de sol próprio para ciclistas em um dos bancos da praça. Paciência né!!!

Após a refeição, solicitamos a um dos colaboradores, seguir de carro no sentido da cidade de Estiva, 22 km adiante, até encontrar o Sebastião, fato concretizado no distrito de Fazenda Velha, cerca de 9 quilômetros à frente. Quando chegamos ao vilarejo ele já havia almoçado também.
Marcos e Julio
Desde a saída de Tocos do Moji enfrentamos um trecho de percurso muito difícil, com muitas subidas íngremes que se estende por cerca de seis quilômetros. As dificuldades se amenizam, dois quilômetros depois de passarmos pela Fazenda Velha, quando tínhamos pela frente uma longa descida, com mais de 4 quilômetros de extensão e com um declive forte, que requer dos ciclistas bastante atenção e cuidado. Entretanto, a estrada tem o piso de terra batida, suave e praticamente sem buracos e valas. Essa descida nos leva ao um pequeno povoado chamado Pantano dos Teodoros. Terminado a descida, tivemos de imediato o início da subida do Pantano, muito difícil, com cerca de três quilômetros. Após a subida, apenas quatro quilômetros nos separavam de Estiva, a próxima cidade, que foram feitos sem dificuldades.

Em Estiva, paramos numa padaria ao lado da pousada de apoio aos peregrinos onde fizemos um lanche. Esse reforço gastronômico era importante para fazermos o último trecho de vinte quilômetros até Consolação, com o desafio mais assustador do dia, a Serra do Caçador, com mais de três quilômetros de extensão, e subidas com percentual de inclinação, em média, superior a dez por cento. Mais uma vez a maioria teve que empurrar as magrelas na subida.

Concluída a Serra do Caçador, chegar a Consolação ficou bem fácil porque a topografia, com bons declives e trechos planos, ajuda bastante.

Quando chegamos à praça da Igreja de Consolação, eu e o Júlio Cesar, por volta de dezessete horas, lá já estava há um bom tempo o Silvestre, um cabrito nas descidas e muito forte nas subidas. Ali ficamos aguardando a chegada do restante do grupo que não tardou a se reunir.

Nos hospedamos na Pousada Casarão, em frente à praça onde paramos. Embora simples, o serviço atende bem ao peregrino que ali se hospeda. Nessa noite jantamos na própria pousada e nos recolhemos cedo porque o dia seguinte seria o mais desafiador do caminho.

Terceiro dia do Caminho - Às 6 horas, a mesa do café estava posta. A nossa saída rumo a Paraisópolis, a 21 quilômetros de distância, aconteceu às 7:12. O trecho não é dos mais difíceis. Nos primeiros quatro quilômetros temos paralelepípedos e asfalto com descidas que permitem imprimir uma boa velocidade.
Serra da Mantiqueira
Novamente, voltamos aos estradões de terra nas encostas da Serra da Mantiqueira. É um trecho com muitas fazendas de gado leiteiro, aliás, em grande parte do caminho é uma atividade que se vê com frequência. Se aproximava das 9 horas quando chegamos à praça da Matriz de Paraisópolis. Todo o grupo foi a uma padaria da praça para um lanche rápido. O preferido foi pão com ovo e hambúrguer, acompanhado de suco de laranja.

O Marcos aproveitou que o Mercado Municipal estava aberto para comprar doces e queijos da região. Em seguida, rumamos para a Luminosa, a cerca de 25 quilômetros à frente. Aparentemente seria um trecho tranquilo, mas enganoso porque as subidas chegaram a cerca de 700 de variação positiva. No final, nos últimos três quilômetros, temos uma descida fantástica, que nos leva a uma das vistas mais bonitas deste Brasilzão que Deus nos deu. A cidadezinha de Luminosa, distrito de Brazópolis, MG, divisa com Campos do Jordão e São Bento do Sapucaí, ambas em São Paulo.

Nossa passagem pela cidade de Luminosa se deu um pouco antes do meio dia. Nesse ponto, observamos uma mudança radical no tempo, com nuvens carregadas e armando chuva, coisa que ainda não tínhamos enfrentado.  Seguimos em frente porque pretendíamos parar na Pousada de Dona Inês, cerca de quatro quilômetros à frente, quando já havíamos subido cerca de dois quilômetros da famosa Serra da Luminosa, com sete quilômetros de extensão.
ohhhhh dureza!!!
Entretanto, antes concluir o primeiro quilômetro da subida, a chuva, que estava mais rápida, nos alcançou e assim, tivemos de empurrar as bikes mais uma vez. Chegamos à pousada e recebemos a notícia de que naquele dia não haveria almoço, mas que dois quilômetros à frente havia uma restaurante onde poderíamos almoçar.

A chuva ficou intensa, nossa preocupação passou a ser os carros, pois havia trechos extremamente complexos para passar, embora veículos equipados com transmissão 4x4. Após longa e extenuante batalha, vai e volta eles conseguiram superar esse trecho difícil, não sem as deslizadas e um encontrão com o barranco que resultou numa pequena avaria na lataria do carro do Samuel.

Quando chegamos ao restaurante, o Júlio Cesar, que sempre andava na frente, já havia realizado o pedido de almoço para nove pessoas da nossa comitiva. Na verdade, éramos os únicos clientes do restaurante naquele dia. A regra é clara: - sem movimento não se produz comida.

Neste aspecto, a moça que nos atendeu fez o almoço para todos, partindo do zero. Antes, entretanto, nos preparou entradas com queijo/requeijão fabricado lá na própria fazenda, que era um manjar delicioso.

Enquanto aguardávamos a preparação do almoço, os companheiros foram chegando, menos o Marcos. A última vez que o avistamos, na entrada de Luminosa, quando parou para fazer fotos das Igrejas locais.

Com frio e chuva aproveitamos para tomar uma boa cachacinha mineira - eu, Tião e Ricardo. Passado um bom tempo, foi servido o almoço e o Marcos não aparecia. Almoçamos e o Marcos não aparecia. Cogitamos arranjar pessoa com uma moto apropriada para descer a serra à procura dele, entretanto, não havia moto disponível com essas características. Estávamos receosos de voltar com os carros porque corria o risco de acidente, foi então que tomei a decisão de voltar com um motorista até onde o carro desse conta de ir sem risco. De lá eu desceria correndo até a cidade para tentar localizá-lo.

Assim fizemos. Saímos, e para a nossa sorte, a menos de 500 metros de distância o avistamos empurrando a sua bike. Então ele nos relatou que, ao iniciar a chuva, procurou abrigo numa casa à beira da estrada. Bateu palmas e um senhor de idade o atendeu e, como um bom mineiro, desconfiado, não deu conversa. Ele insistiu no pedido e teve um aceno positivo e ele ficou abrigado numa varandinha da casa. A chuva foi afinando e o senhor apareceu à porta e o Marcos voltou a cumprimentá-lo e perguntou se podia continuar ali se abrigando da chuva. Aí o mineirinho falou que a chuva já havia “amainado” num sinal claro que a presença dele ali não era bem vista.
e a chuva chegou
Neste cenário, seguiu destino e perto do restaurante, se deparou com uma maloca de gado no meio da estrada e como um bom urbano, ficou receoso em passar, gritou para o gado, fez acenos, ameaças e nada de abrirem passagem. Em sua narrativa, contou que o macho, apenas balançava a cabeça de um lado para o outro. Assim, permaneceu por muito tempo, num verdadeiro chá de lama aguardando autorização do touro. Encontrar o Marcos foi um alívio para grupo que partiu para fechar o restante da subida, enquanto Marcos almoçava.

Em acertada decisão, um dos carros permaneceu para apoiá-lo e aos demais integrantes que subiam a serra de forma mais lenta. Um pouco mais à frente, seguimos: Júlio, Silvestre (dois monstros na bike), Tião e eu.

Concluída a subida da Luminosa, seguimos cerca de três quilômetros ainda por estrada de terra até alcançar o asfalto que leva a Campos do Jordão; a seguir, nove quilômetros nessa rodovia asfaltada, no distrito de Paulista, voltamos às estradas de terra, faltando ainda 17 km para chegarmos a Campos do Jordão.

A chuva continuava firme e por via de consequência, no trecho de terra, além da chuva, havia lama, estrada escorregadia, subidas difíceis que não nos permitia acelerar. Um pouco depois das 17 horas entramos na cidade e antes das 17:30 horas chegamos ao hotel, molhados, sujos e com frio.

No hotel, conseguimos local para guardar as bikes, com direito a um banho de mangueira para retirar o excesso de lama das magrelas. Ali ficamos monitorando o restante do grupo por meio do telefone do motorista que o acompanhava. Cerca de meia hora depois, todos chegaram em paz.

A estada em Campos do Jordão não pôde ser melhor aproveitada porque a chuva não deu trégua. Mesmo assim, o grupo saiu para jantar e tomar chocolate quente. Antes, porém, todos tomaram os caldos ofertados pelo hotel. Uma delícia.

O Caminho da Fé, quando se chega a Campos do Jordão, se bifurca e permite ao peregrino escolher entre a rota de Pedrinhas ou a rota que passa por Pindamonhangaba. No nosso planejamento, estava prevista a rota por Pedrinhas, a mesma que fizemos no ano anterior.

Por Pedrinhas o Caminho é mais curto em cerca de 20 quilômetros, entretanto, é um trajeto extremamente técnico e perigoso para quem ainda não se sente seguro no mundo das Bikes MTB.

O Samuel, nosso líder, idealizador e estrategista da nossa aventura, convocou uma reunião para comunicar que faria o restante do caminho por Pindamonhangaba. E ele tinhas boas razões para essa decisão. Já conhecia o caminho e sabia dos riscos inerentes. Além disso, ela já tinha tido o dissabor de sofrer quatro quedas desde a nossa saída de Águas da Prata. Na sua comunicação, ele deixou os integrantes do grupo livres para escolher a rota a seguir. Como estávamos com dois carros, decidimos que um carro desceria por Pindamonhangaba e o outro por Pedrinhas. Ricardo, Samuel e Silvestre seguiriam por Pindamonhangaba, e eu, Júlio Cesar, Marcos e Sebastião tomaríamos a rota de Pedrinhas.

Quarto dia do Caminho - A nosso pedido, o café da manhã foi servido pouco mais cedo do que de costume; permitindo o reinício do pedal por volta de 7h40m. Nos primeiros 10 quilômetros pedalamos por uma pista asfaltada que, embora sem acostamento, tinha pouco trânsito de carros. Além disso, a topografia era favorável e nos permitiu imprimir um bom ritmo na velocidade.
Campos do Jordão
Quando pegamos a estrada de terra não demorou muito para a coisa mudar e aí tivemos de enfrentar subidas difíceis, que pareciam intermináveis, e de novo tivemos de empurrar as magrelas. Mas o Júlio Cesar continuava firme pedalando nas subidas. Fizemos uma parada no Mirante Pau Arcado para mais uma sessão de fotos. Esse local costuma ter uma vista belíssima. Infelizmente, neste dia o nevoeiro não nos permitiu usufruir de tal beleza.
densas nuvens no horizonte
Alguns quilômetros à frente começamos a descer Pedrinhas. A sorte é que não estava chovendo, embora a terra estivesse úmida. A vantagem de estar úmida é que o cascalho fica mais unido e as pedras soltas menos perigosas, ainda assim, percebemos quão acertada foi a decisão do Samuel porque a descida é de fato muito técnica e nos trechos em que se conseguia desenvolver um pouco mais de velocidade, a trepidação excessiva fazia doer as mãos, braços e ombros.

A parte mais difícil da descida tem talvez um pouco mais do que 12 quilômetros, quando chegamos a um trecho asfaltado. Esse é um local predileto para meninos de todas as idades brincarem. Estrada sem movimento, asfalto bom, curvas fechadas e descida com declive acentuado. Acionar um pouquinho os freios, antes de entrar nas curvas e deixar a força da gravidade funcionar a seu favor era o que se precisava. Terminado o descidão, fiz uma coisa que costumo ver nas provas de ciclismo. Andar na roda do ciclista da frente, aproveitando o vácuo. Fiz tanto na bike do Marcos como na do Júlio, meus gregários (ciclistas que estão na prova para ajudar os campeões a ganharem as corridas). Foi uma experiência incrível porque o que vai na roda é poupado do grande esforço para manter o ritmo, a velocidade. Show de bola.

Não demorou muito e estávamos a menos de dez quilômetros do Santuário. Nesse trecho, aconteceu uma coisa engraçada. Nós vínhamos numa estrada de terra e chegamos a uma bifurcação em T.  Reduzi a velocidade porque vinha uma caminhonete tipo Saveiro com duas pessoas na cabine e uma carga de pedra, tipo lajota para piso. Seguindo o carro vinha uma matilha de 5 cachorros, sendo 4 filhotes e uma fêmea adulta que parecia ser a mãe da turminha. Ao mesmo tempo em que corriam, uns ficavam encrencando com os outros e voltavam na carreira para acompanhar o carro. Era um terreno plano e o carro e os cachorros foram embora nos deixando para trás.

Uns cinco quilômetros antes do Santuário paramos para almoçar e pudemos jogar uma água nas bikes para retirar a lama e a areia de suas engrenagens.

Pouco depois das 13 horas e trinta minutos, do dia 25 de outubro de 2018, nosso grupo chegou ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima. Fizemos fotos, visitamos a imagem de Nossa Senhora Aparecida, acompanhados de nossas companheiras, montamos as Bicicletas no Rack da caminhonete e fomos pegar o certificado de peregrino, na Secretaria do Santuário.

Com os certificados em mãos, fomos aguardar a chegada dos companheiros que desceram por Pindamonhangaba. A essa altura, já vínhamos monitorando o deslocamento do grupo, por meio de contato com o Júlio, motorista que os acompanhava. Por volta das 14 horas e 17 minutos eles apontaram no estacionamento da Basílica.
Santuário Nacional de Aparecida do Norte
Aí foi só alegria, principalmente de ter ocorrido tudo como planejamos, sem nenhuma intercorrência séria ou mesmo desavença no grupo. Foi tudo muito bom mesmo.

Após as fotos com o grupo e a retirada dos certificados, seguimos para o hotel Rainha do Brasil, e retornamos ao Santuário para a missa das 18 horas. À Noite, jantamos, e no dia seguinte fizemos a viagem de volta, tendo chegado em casa por volta das 23 horas, depois de deixar, em suas respectivas casas, os companheiros de viagem.

Uma coisa importante que se observa no Caminho da Fé é a presença de peregrinos em todos os trechos em que passamos. Às vezes o peregrino está sozinho, às vezes em dupla e muitas vezes estão em grupo. A sensação que se tem é de muita tranquilidade no caminho. A exemplo do ano anterior, encontramos também ciclistas fazendo o caminho, alguns solitários, outros em grupos como o nosso.
Caminho da Fé
Literalmente, percorrer o Caminho da Fé é uma experiência incrível. Não importa se caminhando, correndo ou pedalando. Vale a pena, mesmo para quem não tenha uma motivação religiosa.




Eduardo Rodrigues

sábado, 27 de outubro de 2018

No caminho da fé, o chão foi o limite...

No caminho da fé, o chão foi o limite para o Samukinha!!!

Melhor explicar!!! - Em meados do mês de junho, Samukinha aventou a possibilidade de oito amigos percorrerem o Caminho da Fé de bicicleta, pedalando entre a cidade de Águas da Prata e o Santuário Nacional de Aparecida.

Ocorreu que: Samuel Toledo, nosso estrategista e idealizador da jornada, comprou quatro terrenos em quatro dias, ou seja, considerando os 320 Km pedalados na Serra da Mantiqueira, temos a média de um tombo para cada 80 Km.

Inicialmente, a ideia surgiu no final de 2017, quando Eduardo Rodrigues, decano da Equipe Bsb Parque, Samuel Toledo e Sebastião Santos percorreram o Caminho da Fé, os dois primeiros caminhando e o derradeiro no giro do pedal.

Na ocasião, durante a viagem de regresso a Brasília - DF, eles avistaram na estrada grupos de ciclistas que se dirigiam ao Santuário Nacional de Aparecida e imediatamente cogitaram convidar outros abnegados guerreiros para a peregrinação.
Praça Basílio Ceschin
No planejamento inicial, ficou acertado que a jornada se daria entre os dias 22 a 25 de outubro de 2018, média de 80 Km diários, acompanhados de dois carros de apoio, transportando nossas bagagens, suprimentos de hidratação e guloseimas - bom demais!!! 

A adesão foi imediata, de tal sorte que não foi suficiente para outros amigos interessados. Quem sabe na próxima edição, a delegação de teimosos fique maior!!!

Na última hora, ficamos desfalcados da presença do Lucas Toledo, filho do Samukinha, que alegou motivos de força maior - não acordou no horário combinado e assim não compareceu ao local de partida.

Na boca miúda, comenta-se que o guerreiro fugiu da raia ou tenha sido obra da "divina providência"... vai saber!!!

Quanto aos tombos, a exceção de um preocupante capote na descida perto da cidade de Tocos do Moji, nada de grave aconteceu ao guerreiro, sobrando aqui e ali, pequenos arranhões e hematomas.
capote superado!!!

No domingo, dia 21 de outubro de 2018, por volta de 06:00 horas, iniciamos a viagem entre Brasília - DF e São João da Boa Vista - SP, clima favorável, velocidade de segurança na estrada, uma vez que havia quatro e três bicicletas instaladas nos suportes dos veículos de apoio.

Ademais, ao anoitecer daquele dia, após 900 Km de estrada, chegamos a São João da Boa Vista, SP e nos instalamos no Hotel Mansão dos Nobres, jantamos e a seguir... descanso para enfrentar o dia seguinte de pedal, iniciando na cidade vizinha: Águas da Prata, berço do Caminho da Fé.

1º dia: Águas da Prata a Ouro Fino


No dia seguinte, às 08:22 h - 22 de outubro de 2018, segunda-feira - partindo da Praça Basílio Ceschin em Águas da Prata, SP, iniciamos a jornada de quatro dias pedalando pelas estradas vicinais que cruzam a Serra da Mantiqueira - Eduardo Rodrigues, Samuel Toledo, Sebastião Santos, Dionisio Silvestre, Ricardo Portugal, Marcos D'Angelo e Julio César.
A hora chegou!!!

Absortos e silenciosos enfrentamos os 2 km iniciais com absoluta cautela para superar a primeira subida. Foram necessários cerca de 15 minutos para se chegar ao final do morro. Era nítido, no semblante dos amigos que a missão seria árdua por extremo, porém gratificante e renovadora.

À guisa de ilustração, diga-se hilária, e utilizando-se do linguajar próprio dos ciclistas: relato que giramos absolutamente nada para utilizar "vovozinha e vovozona" - ou seja, em tão pouco espaço foi necessário usar a menor coroa e a maior catraca, demonstrando assim, que elas seriam nossas inseparáveis companheiras - 24 x 36 (Samuel); 26 x 36 (Eduardo); 34 x 50 (Julio); 34 x 46 (Silvestre); 26 x 36 (Ricardo); 26 x 36 (Marcos) e 26 x 36 (Tião).

Embora a subida ao ponto mais alto do Pico do Gavião, 1680 metros, não faça parte do Caminho da Fé, concordamos passar pelo local para registro fotográfico.

Pico do Gavião
Registro concretizado, efetuamos a descida com extrema cautela e a seguir, partimos para a cidade de Andradas. Um pouco antes da longa descida ao município mineiro, encontramos peregrinos ao longo do caminho. Hora do registro!!!
peregrinos no caminho!!!
O dia avançava, calorias eram consumidas e os guerreiros tornavam-se famintos - nada melhor que saborear aquele tradicional "bife de boi".

Alegando não estarem com fome suficiente, Samuel Toledo, Ricardo Portugal e Marcos D'Angelo seguiram pedalando, enquanto os demais ciclistas e motoristas dos carros de apoio almoçaram - Bruno e Júlio.
Equipe de apoio: Júlio e Bruno
Em Serra dos Lima, o sol judiava e a subida, diga-se insana, maltratava ainda mais. Salvo melhor juízo, o fotógrafo Marcos D'Angelo e a locomotiva Júlio Cesar conseguiram zerar a Serra dos Lima, o primeiro com a relação 26 x 36 e o outro, com a relação 34 x 50 - cabras brutos!!!

Ironicamente, os demais pebinhas, contentaram-se em caminhar empurrando suas bicicletas ladeira acima. Ohhh dureza!!!

A seguir, surgia uma descida salvadora e renovadora de energias #SQN para o amigo Samukinha, que comprou o primeiro terreno quando esqueceu da máxima: "após uma descida, sempre haverá uma subida".

Sonoras gargalhadas aqui até 2052!!! - O infeliz desceu em desabalada carreira e displicentemente, esqueceu de acionar vovozinha e vovozona para enfrentar aquele top traiçoeiro!!!

Resumo da ópera: não conseguiu girar o pedivela pois estava com uma relação muito pesada, tão pouco conseguiu se livrar dos "clips".

Olha lá o corpo estendido no chão!!! Run Bóra levantar e sacudir a poeira!!!

No curso do primeiro dia, superamos a subida do sabão, passamos na cidade de Barra e  de Crisólia. Aos poucos a primeira tarefa estava sendo concluída, sem maiores percalços.
imediações de Ouro Fino
As cenas e o cotidiano daquele local começavam a fazer parte do roteiro!!!

Na logística de manutenção das magrelas, no primeiro dia foi necessário efetuar a troca de duas câmaras de ar da bicicleta do Samuel Toledo, bem assim, das pastilhas do freio traseiro da bicicleta do amigo Eduardo Rodrigues.

Foram 2.255 metros de altimetria positiva ao longo do percurso!!!

2º dia: Ouro Fino a Consolação


Após uma bela e revigorante noite de sono na Pousada Don Paolo, Ouro Fino - MG, reiniciamos a empreitada às 06:39 h, clima super agradável, horizonte azul.

Em pouco tempo, a cidade de Inconfidentes seria alcançada e nos 35 Km iniciais, o terreno estava favorável, sem maiores esforços aos ciclistas peregrinos.
só o ouro!!!
A partir de então, cenários deslumbrantes e uma sucessão de ingratas subidas e descidas aconteceriam: Borda da Mata, Tocos do Moji, Estiva e Consolação.
nos vemos no caminho!!!
Uma dica importante e não observada pelos amigos Eduardo Rodrigues e Sebastião Santos: redobrem a atenção na sinalização do Caminho da Fé quando se aproximarem de Borda da Mata, pois há uma descida em linha reta e a seta amarela determina virar a direita numa curva cotovelo.
segue a seta!!!
Como eles não seguiram as setas, ouviram do morador local: você está perrrdido!!! 

Isso mesmo... perrrdido!!! com 3 erres!!! Bom demais!!!

O almoço aconteceu na cidade de Borda da Mata, MG e em mais uma oportunidade, aconteceria intervenção na logística das máquinas - na pastilha do freio traseiro da bike do Samukinha.

Solta o freio Samukinha!!!

Ademais, em uma harmonia sem igual, o dia cedia espaço para a noite e assim, na cidade de Consolação - nos instalamos na Pousada Casarão, extremamente simples, todavia, aconchegante a ponto de nos proporcionar "banho, roupa lavada, pouso e alimentos". Simples assim!!!

3º dia - Consolação a Campos do Jordão


Se a altimetria acumulada no dia anterior - 2605 metros - já assustava, o que comentar sobre a empreitada do dia, com as duas subidas de Paraisópolis, a infinita Serra da Luminosa - a famosa quebra pernas - e a chegada a Campos do Jordão!!!
não estava fácil para ninguém!!!
E para aquilatar ainda mais o dia, densas nuvens se apresentavam ao longo do caminho. 

E no meu caso específico, me empolguei com o terreno inicialmente plano e acabei passando da interseção que liga a Paraisópolis; sem outra alternativa, segui pelo asfalto até Paraisópolis, acrescendo 9 km no trajeto.
sinalização tradicional
Caminho da Fé
Presta atenção nas setas amarelas Silvestre!!! você não presta!!!

Ao chegar a Paraisópolis, o grupo se dispersou, uns foram realizar um lanche na Padaria em frente a Igreja Matriz e outros foram ao Mercado Central para comprar iguarias e doces da região. Bom demais!!!
créditos: Marcos D'Angelo

Um pouco antes da pequena Luminosa, passamos pelo Distrito de Paraisópolis, conhecido como Canta Galo. Nestes locais, o amigo Marcos D'Angelo parou para alguns registros fotográficos das igrejas locais e por via de resultado, ficou um pouco para trás.
créditos: Marcos D'Angelo

A chuva chegou definitivamente quando iniciamos as subidas - preliminares a Serra de Luminosa. A estratégia de almoço na Pousada da Dona Inês não foi possível, e a grata alternativa, posteriormente demonstrada: um quiosque instalado em local plano, no seio da inesquecível Serra de Luminosa.
A famosa!!!
Aos poucos, os guerreiros foram vencendo o obstáculo e se acomodando naquele quiosque salvador; foi quando Mestre Samukinha, surgiu faceiro e com semblante de superação por haver vencido a Serra de Luminosa.

Coincidência ou destino, naquele momento ele atraía a atenção de todos os presentes e pela quarta ocasião compraria um terreno naquele majestoso gramado, com a platéia assistindo em tela 3D - diga-se: sem direito a replay.

O aspecto hilário do episódio: - Assim que levantou, embora constrangido com a falta de habilidade no domínio da magrela, proferiu impropérios aos expectadores da cena.

Sabe de nada inocente!!!

Um tanto quanto ciclista nutella foi o episódio envolvendo o Marcos D'Angelo que buscou abrigar-se da chuva em uma varanda de sítio; enquanto os demais guerreiros - ciclistas raiz - avançavam no terreno, providenciavam a suplementação alimentar, leia-se: almoço.
Marcos D'Angelo
Segundo uma das leis de Murphy: - se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível.

Além da narrativa da varanda do sítio, o camarada nos informou que se atrasou ainda mais quando enxergou uma boiada que inspirava cuidados na estrada. Vai vendo!!!

Extremamente preocupado com o pupilo, Eduardo Rodrigues, o decano do grupo, resolveu retornar e averiguar o que poderia ter acontecido com o guerreiro. Bastaram poucos minutos para o ambiente serenizar e as anedotas correrem na boca miúda.

No resumo da ópera: o dano causado foi o atraso e o almoço tardio do guerreiro!!!

A rigor, dali em diante o grupo seguiu dividido e consequentemente os carros de apoio ficaram separados. A chuva apertava, o frio começava, a cidade de Campos de Jordão se aproximava e o Quelônio do Cerrado (eu) pedalava.

O registro do aplicativo Strava marcou 2.644 metros de altimetria acumulada no dia!!!

Quanto a logística de manutenção das magrelas, neste dia ocorreram dois furos de pneus, prontamente resolvidos pelos guerreiros Ricardo Portugal e Eduardo Rodrigues, ou seja, sob controle!!!

4º dia - Campos do Jordão ao Santuário Nacional de Aparecida


Em razão dos quatro terrenos comprados ao longo da jornada = tombos; Samuel Toledo convocou reunião para comunicar que não mais percorreria o trajeto pedrinhas, extremamente técnico, com 59 Km até o Santuário Nacional de Aparecida, considerando sua indisfarçável, inegável  e absoluta inabilidade na MTB.

A alternativa possível para nosso estrategista, passar pelo asfalto da rodovia, somando 80 km até o destino final. Ademais, restou deliberado que os brutos seguiriam pedrinhas (Julio, Tião, Marcos e Eduardo); enquanto os pebinhas percorreriam o caminho da fé pela rodovia (Silvestre, Samukinha e Ricardo).

A formação de densas nuvens não permitiram registros fotográficos ao grupo dos brutos, entretanto, um acontecimento hilário foi presenciado pelos amigos, à medida que se aproximavam da imponente Basílica de Nossa Senhora Aparecida.

O grupo dos brutos seguia com o Júlio - incansável locomotiva e puxador do pelotão - o decano e insuperável Dudu, o fotógrafo Marcos e o nobre amigo Tião - que se auto intitula ferrolho, encerrando o pelotão.

Ao realizarem uma curva, frente para a porteira da fazenda, repentinamente se depararam com a cena extremamente engraçada, aonde 6 cachorrinhos, em disparada, acompanhavam o veículo Ford Pampa, a velocidade era tão impressionante, a ponto de superarem, a performance final dos ciclistas, que convenhamos, naquela altura do campeonato, estavam exaustos com os 320 km do Caminho da Fé.

Para surpresa dos amigos, cinco dos cachorrinhos conseguiram seguir o veículo por uns bons quilômetros, ultrapassando todos os ciclistas. Incrível!!!

Subliminarmente, 17 minutos após as duas horas da tarde, o grupo dos pebinhas - Silvestre, Samuel e Ricardo - chegaram ao Santuário Nacional de Aparecida, após enfrentarem muita chuva e barro no trecho final, de terra.

Para o amigo leitor, que pacientemente chegou até esta altura do texto, deixo uma revelação: - até mesmo o Júlio César, a locomotiva humana, utilizou-se - em grau menor é óbvio - do subterfúgio de empurrar a bicicleta nas subidas inimagináveis, que chegaram aos absurdos 34,8% de inclinação - Serra de Luminosa!!! 

Com a missão concluída e o Certificado de Peregrino em mãos, nosso grupo de amigos regressou ao Distrito Federal no dia seguinte, sexta-feira, 26 de outubro de 2018.

Forte abraço e nos vemos no caminho!!!

Seção Eu estava lá!!!

carro de apoio
jantar em São João da Boa Vista
Mirante do Pico do Gavião
Serra da Mantiqueira
Eduardo Rodrigues

Ricardo Portugal

Sebastião Santos

Samuel Toledo

na subida do sabão!!!

menino da porteira!!!

mural dos grupos

Marcos D'Angelo

Eduardo Rodrigues

Ricardo Portugal

Samuel Toledo na Porteira do Céu!!!

Samuel Toledo

Marcos D'Angelo

Santuário Nacional de Aparecida

hora do regresso!!!
A padroeira!!!
Consolação

Amantikir - Campos do Jordão

Amantikir e Casa na Árvore

Restaurante Colméia

Restaurante Colméia

Santuário Nacional de Aparecida

Marcos D'Angelo na Porteira do Céu!!!

Marcos D'Angelo

nos vemos no caminho!!!

a locomotiva em ação!!!