segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Nos vemos no caminho - Brazil 135 Ultramarathon.

No início da madrugada do dia 09 de janeiro de 2026 - sexta-feira, por volta de 01 hora e 20 minutos da manhã, dois moradores da cidade de Inconfidentes - MG, Pedro Olímpio e Fábio, se aproximam e iniciam uma prosa para compreender o que se passava, pois haviam observado inúmeros atletas cruzarem a cidade correndo.

Naquele momento, eu estava sentado no banco em frente ao Bar do Maurão, na Avenida Alvarenga Peixoto, na cidade de Inconfidentes - MG, aguardando a chegada dos guerreiros Samuel e Jorge, que participavam da 21ª Edição da Brazil 135 Ultramarathon.

Em um primeiro momento, me indaguei como eles deduziram que de certa forma, eu estaria envolvido naquela empreitada esportiva. A resposta é extremamente simples: trajava roupas esportivas e ao meu lado havia um veículo tração 4 x 4, que tinha sob o teto uma luz intermitente entregue pelos organizadores da prova para identificar os carros de apoio.

Vocês conhecem o Caminho da Fé?


Indaguei aos dois moradores e recebi a resposta positiva que eles sabiam dos peregrinos, que diuturnamente atravessam a cidade, pedalando e caminhando, com destino ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida.

Pois bem, comecei explicando que no início de cada ano, realiza-se a Brazil 135 Ultramarathon, cerca de 242 Km, utilizando o mesmo percurso do Caminho da Fé e que o trajeto da prova seria entre Águas da Prata - SP e Paraisópolis - MG.

Naquele momento, estávamos próximo do primeiro Ponto de Decisão da Brazil 135 Ultramarathon, Km 93, na Pousada do Juninho, Inconfidentes - MG, onde os amigos Samuel e Jorge, optariam em continuar ou parar suas aventuras.

Ao todo, cinco são os Pontos de Decisão, estipulados pelos organizadores da ultramaratona, onde os atletas optam por continuar ou parar:

1) Km 90 - Inconfidentes;

2) Km 131 - Tocos do Moji;

3) Km 151 - Estiva; 

4) Km 192; Paraisópolis; e 

5) Km 217 - Luminosa.

Oportuno registrar que o percurso completo, passa uma primeira vez em Paraisópolis, Km 190, segue até Luminosa, Km 217 e retorna até Paraisópolis, Km 242, para concluir a Brazil 135 Ultramarathon.

Congresso Técnico Brazil 135 Ultramarathon 

No dia 07 de janeiro de 2026 - quarta-feira,  foi realizado o Congresso Técnico da Brazil 135 Ultramarathon, nas instalações do Centro Universitário das Faculdades de Ensino - UNIFAE, na cidade de São João da Boa Vista - SP.


O encontro possibilita rever amigos de longa jornada, receber o kit de participação do atleta, compreender a dinâmica e as regras do evento, interagir com atletas de outros países, conhecer e rever os integrantes do staff da BR 135, saborear o tradicional almoço servido pelos organizadores.

Nunca é demais relembrar que a Brazil 135 Ultramarathon é a melhor oportunidade, que existe na América do Sul e Central, para se qualificar para a BadWater Ultramarathon nos Estados Unidos. 

No dia seguinte, 08 de janeiro de 2026 - quinta-feira, às 08 horas da manhã, a largada escalonada foi realizada e aos poucos, na cidade de Águas da Prata - SP, as camisas das equipes coloriam o Caminho da Fé, no trecho Águas da Prata e o Pico do Gavião.

Águas da Prata x Pico do Gavião - 21 Km

Nosso pequeno grupo de atletas da BSB Parque - Wilson Bomfim, Eurico, Eduardo, Marcos, Samuel, Edmar e Jorge - seguiam firmes na empreitada e a diversão estava garantida.

Marcos, Jorge, Samuel

A cada 3 ou 4 Km, Ari, Silvestre, Robson ou João, nos três carros de apoio da Equipe BSB Parque, paravam e estabeleciam a base de apoio para os atletas, com água, isotônico, alimentos, suplementos e equipamentos.

Eduardo, Eurico, Samuel, Jorge

Até a base do Pico do Gavião, o ritmo dos integrantes da BSB Parque seguia muito semelhante, por medida de segurança, não foi possível aos carros de apoio, acompanharem os atletas naquele segmento de subida e descida do Pico do Gavião.

Com maior desenvoltura, Edmar, Eduardo e Eurico foram os primeiros a iniciar o segmento de subida e descida do Pico do Gavião
Eduardo, Edmar, Eurico
Na sequência, Marcos, Samuel e Jorge mantinham a prosa em dia e o ritmo estava ajustado e firme.

Marcos, Samuel, Jorge
Extremamente conservador, o veterano Wilson Bomfim determinava ritmo confortável, indicando que estava muito mais atento ao desgaste que a prova proporciona, considerando sobretudo as incontáveis participações na Brazil 135 Ultramarathon, na categoria solo, dupla, trio e quarteto.

Wilson Bomfim e Marcos

No grupo de apoio do Wilson Bomfim, haviam 3 abnegados colaboradores, quais sejam: Soshiro Shibata, pacer responsável por manter o Mestre sempre em movimento e Robson e João que se alternavam na condução do veículo e no apoio logístico.

Wilson Bomfim


Pico do Gavião x Andradas - 17 Km

O primeiro carro de apoio avançou no terreno, proporcionou o apoio logístico necessário e na descida para Andradas parou em pequeno estabelecimento para prover refeição - macarrão a alho e óleo para Edmar, Eurico e Eduardo.

Edmar, Eurico, Eduardo

Naquele momento, ficamos sabendo da decisão do Eurico em não continuar na prova.

Os demais, Samuel, Jorge e Marcos passaram pelo pequeno estabelecimento e optaram em manter a estratégia de lanches com frutas e porções de alimentos previamente organizados.

Marcos, Samuel, Jorge

Andradas x Serra dos Lima - 12 Km

O ponto de controle da prova foi instalado na Praça que fica em frente a Igreja Matriz de Andradas.

Jorge, Comandante Mário, Samuel

A partir deste trecho, não foi mais possível ao segundo carro de apoio, interagir com o primeiro carro de apoio, pois os irmãos Eduardo e Edmar, com o abandono do Eurico, mudaram a estratégia de forma exponencial, imprimindo ritmo diferenciado.

Edmar e Eduardo

Bom demais!!

Uma refrescante chuva caiu e ajudou a atenuar o calor e pouco antes da Serra dos Lima o sol voltou a reinar e brilhar novamente.

Edmar e Eduardo


Samuel Toledo


Jorge Coentro


Serra dos Lima x Barra - 10 Km

Lentamente o dia cedia espaço para a noite, os atletas começavam a utilizar a iluminação das lanternas de mão e de cabeça, era necessário e obrigatório utilizar os coletes refletivos.

Marcos, Ari, Edmar, Eduardo

Naquele trecho, Marcos começava a apresentar desgaste pouco maior que os demais assistidos pelo segundo carro de apoio, já reportava dores no pé e com as descidas e subidas o desgaste acentuava.

Enquanto isto, os embalados Eduardo e Edmar sentavam as botinas!!

Neste trecho, há descidas longas com inclinação acentuada e na ocorrência de chuvas, torna-se perigoso tanto para atletas, quanto para veículos de apoio, pois fica extremamente escorregadio.

Barra x Crisólia - 15 Km

A noite atenuou o calor, todavia, os guerreiros começavam a demonstrar o cansaço natural para provas de longa distância, especialmente pela característica do terreno, nas montanhas da Serra da Mantiqueira.

Samuel e Jorge em Crisólia

Em todas as ocasiões em que passei pelo Caminho da Fé, as condições de solo da lendária e temida subida do sabão, são examinadas detidamente e com muita prudência, pois o erro de avaliação suscitará problemas ao carro de apoio e sem carro de apoio, a desenvoltura dos atletas na prova estará sensivelmente comprometida.

Sem maiores problemas, o carro de apoio passou pelo trecho e conseguiu proporcionar a logística necessária aos atletas.

Inúmeros veículos de apoio optaram pelo desvio em Barra e depois aguardaram seus atletas na interseção do asfalto com o trecho de terra mais adiante, bem próximo a Crisólia.

Crisólia x Ouro Fino - 7 Km

Comparado com os demais segmentos, o trecho é considerado produtivo para se melhorar o ritmo de corrida, entretanto, devemos observar em que condições o atleta chega naquele ponto.

Ouro Fino x Inconfidentes - 8 Km

No planejamento inicial, Samuel Toledo, Eduardo, Edmar e Wilsom Bomfim se programaram para os 93 Km da Brazil Ultramarathon e Jorge Coentro para a modalidade Survivor, sem assistência do carro de apoio, no trajeto completo de 242 Km.

Abaixo, o resumo da participação da Equipe BSB Parque, nos 93 Km da Brazil 135 Ultramarathon.


Eduardo Rodrigues - 16:32:36 horas;

Edmar Ferreira - 16:32:59 horas;

Samuel Toledo - 17:46:06 horas;

Jorge Coentro - 17:52:24 horas;

Wilson Bomfim - 34:26:34 horas.






Jantar pós prova - Paraisópolis



Forte abraço e nos vemos no caminho!!


segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Só sei que não foi fácil - BR 135/2022.

Participar da mágica e emblemática BR 135, na Serra da Mantiqueira, correndo 217 Km em estradas de chão, trilhas, pastos, asfalto, paralelepípedos e as tradicionais pedras do Caminho da Fé, jamais será uma tarefa fácil, seja em quarteto, dupla e especialmente para os que se aventuram na categoria solo, verdadeiros monstros alienígenas!! 👽👽

Em mais uma oportunidade, nossa singela Equipe Bsb Parque participou nas categorias solo: Jorge Coentro e Vanderval Rosa; na categoria dupla - 🏃🏃Eduardo e Eurico e na categoria quarteto 🏃🏃🏃🏃- Samuel, Silvestre, Tião e Izaias.
Samuel, Izaias, Tião, Silvestre

Eu só não contava levar 🐄🐄🐄🐄carreira de boi no pasto; pegar chuva torrencial em Andradas; ficar angustiado e sem saber o que fazer no perdido do Izaias e depois me arrastar, caminhando com dores no quadriceps em todas as descidas após a cidade de Estiva, no estilo Jabuti com caimbras!!

A formação inicial do Quarteto Bsb Parque era: Samuel, Silvestre, Tião e Júlio, entretanto, em decorrência de lesão, não foi possível ao amigo Júlio César, estar presente no evento, sendo substituído a altura pelo incansável Izaias Porfírio.
Uma árvore no Caminho

A meu perceber, a edição 2022 da BR 135, foi um tanto quanto diferente das demais edições, por um lado adorei largar nas primeiras horas da manhã, aprovei o sistema de largada escalonado e o revezamento do quarteto desde a largada, todavia, em decorrência do Plano de Contigência, senti a falta daquela atmosfera e energia contagiante que envolve o Staff da BR 135, colaboradores e os competidores, antes, durante e depois da prova, com exceção aos dois pontos de controle em Borda da Mata, onde pude rever o amigo de longa jornada Ari Braga, vida longa guerreiro!!

São João da Boa Vista x Águas da Prata

Pontualmente às 05:30 h do dia 13 de janeiro de 2022, quinta-feira, no Cruzeiro da Serra, São João da Boa Vista - SP, Tião começou a jornada do Quarteto Bsb Parque na BR 135, o planejamento inicial: revezar a cada 2 Km e na Serra do Deus me Livre, revezar a cada 1 Km.

Até ali, 8 Km de prova, teoria e prática coerente!! Show!!
Monumento Cruzeiro da Serra, São João da Boa Vista - SP

Na sequência, no trecho de quase 6 Km, subida para as antenas, o carro apoio não consegue acompanhar o corredor, assim, em mais uma oportunidade, Tião foi o eleito para a missão!!

Só o Ouro!!
Serra do Deus me Livre

Avançamos com o carro apoio - Samuel, Silvestre e Izaias - uma vez que alternamos a função de motorista, ou seja, hora você estará correndo e hora estará de piloto do carro, isso mesmo, piloto do carro, porque o que mais enfrentamos foi lama, chuvas localizadas e pontos críticos no caminho.

Não estava fácil para ninguém!!
Samuel Toledo

Os dois trechos seguintes eram possíveis de apoio e foram percorridos pelo Samuel Toledo e Izaias Porfírio, sem problemas e dentro do planejado.
Quelônio do Cerrado

Coube ao Quelônio do Cerrado, no caso, eu - correr o último trecho para chegarmos na cidade de Águas da Prata, cerca da 9,6 Km, essencialmente em descida, entre pastos de fazendas, trilhas e estradas rurais.

Só não contava levar carreira do boi bandido no último pasto!! - Foi um tiro daqueles, imagina!!

Águas da Prata x Andradas

O Quarteto e a Dupla da Bsb Parque corriam bem próximos, com pequena vantagem para o quarteto, o nível de treinamento de Eduardo e Eurico estavam em outro patamar, mais um incentivo para o time do Capitão Samuel não aliviar na passada, né?

O negócio é organizado patrão!! - A planilha não me deixa mentir!!
Tião e Izaias

A cada transição, aquele SALVE tradicional para motivar o grupo e o fluxo seguia inabalável, com uma dupla mista a nossa frente, diga-se, uma dupla de respeito, pois seguiam firmes e com passada forte!!

Chegamos a Andradas sem maiores problemas, nuvens densas no caminho, avizinhando-se aquela chuva abençoada!!

Andradas x Serra dos Lima

A chuva chegou rapidamente, estávamos na saída de Andradas, alcancei e vesti a capa de chuva, comecei "o trotinho no estilo deixa que eu chuto", a chuva tornou-se torrencial e gelada, a passada demorou a engrenar, passei por trecho de asfalto e terra, o tênis literalmente ficou ensopado, Tião pegou o finalzinho da chuva e o estreante Izaias não pegou sequer uma gota de chuva, seu tênis branquinho estava impecável.

Pode isso produção?

A bagaceira só aumentava, os malucos não paravam, o ritmo seguia harmônico, eis que chegamos a temida subida Serra dos Lima, quando o Capitão do Mato bradou:

- BóOra revezar a cada 300 metros!!

Aí lascou, a conta começou a ficar pesada para pagar no débito!!

Etapa vencida, seguimos sem maiores problemas e um pouco a frente, antes da Pousada da Dona Natalina, chega ao meu lado um Pálio Cinza, com casal de moradores da região e me pergunta: 

- Vai uma Brahma?

- Mais adiante!! (respondi)

Quando chego na transição quem estava lá? ao lado do carro apoio? - O casal do Pálio Cinza!!

Mandei o salve: - Cadê minha Brahma?

Só sei que a danada da latinha estava estupidamente gelada!!

Até ali imaginava que era uma brincadeira, aceitei e guardei na caixa térmica!!

Ademais, que tal ouvir o canto das Seriemas?

Vídeo feito pelo nobre amigo Tião, logo após a subida de Serra dos Lima.

Serra dos Lima x Barra

Hora de saborear aquele macarrão feito com o capricho de sempre pela Dona Natalina!!

Bom demais!!

Vamos em frente porque a temida descida de Barra se aproximava, carro apoio e corredor em alerta máximo!! Ainda bem que o piso estava seco, haviam colocado britas e o Caminho estava bom!!

Escalamos nossa melhor formação para enfrentar a Subida do Sabão: Samuel Toledo de piloto do carro de apoio e Tião correndo. Confesso que nem respirava para não atrapalhar o piloto, sério!!

O negócio é tenso, primeira parte muito escorregadia e a segunda mais seca, todavia, inclinação perversa!!

- Só o Ouro patrão!! Segue o fluxo!!

Barra x Crisólia

Próxima a Crisólia, a chuva chegou novamente, um pouco mais fraca e com menor duração, coloquei a capa de chuva e retirei antes de terminar o trecho de 2 Km, naquele trecho asfaltado.
Tião

Assim que retornei ao carro apoio a resenha era: e o Izaias?

- Não pega chuva porque? - Tem base um trem desse não, só eu e Tião pegando chuva!!

Brincadeiras a parte, naquela altura da prova, Tião e Izaias eram nossas referências, haviam treinado bem, estavam firme e fortes na passada, enfrentavam as subidas com muita energia e por via de resultado, contribuíam sobremaneira com o ritmo do quarteto.

Chegando na cidade de Crisólia, avistamos vários peregrinos percorrendo o Caminho da Fé e um fato me chamou a atenção: além das capas de chuva, eles amarraram sacos plásticos, de supermercados, para proteger o calçado da chuva e da lama.

Crisólia x Ouro Fino

No trajeto para Ouro fino Izaias pediu:

- Quero uma foto no Monumento Menino da Porteira!!
Izaias e o Menino da Porteira
Outro trecho que não tivemos obstáculos e a passada seguia firme e embalada, a ponto do Capitão Samuel Sanduba preparar um baita lanche com pão integral, patê de atum, queijo e salaminho. 

Imaginou?

Confere aí produção!!
Samuel Sanduba

Ouro Fino x Inconfidentes

A cada nova oportunidade que percorro o Caminho da Fé, seja na jornada de peregrinação ou correndo a BR 135, vejo a dedicação das pessoas para torná-lo cada vez mais cativante e acolhedor, construíram a Capela São Judas Tadeu, na entrada da cidade de Inconfidentes - MG.

Capela São Judas Tadeu, Inconfidentes - MG

Inconfidentes x Borda da Mata

Aos poucos, a medida que a temperatura diminuía, o dia cedia espaço para a noite, era o momento de separar coletes refletivos e lanternas de mão e cabeça. A atenção no percurso e nos cachorros redobrava, os outros animais adotavam postura de descanso, tudo parecia adormecer, dava para escutar o silêncio, as passadas dos corredores era ouvida a longa distância.

Separei uma camisa de manga para o período da noite, foquei na recuperação pós esforço, com breves cochilos no interior do carro, descer do veículo somente nos momentos de transição e corrida, ou seja, hora de economizar energia para não faltar no final.

Pretendíamos chegar na tenda montada pela Prefeitura de Borda da Mata antes do anoitecer, para receber as instruções da rota alternativa que os corredores enfrentariam para não passar pelo centro da cidade, conforme o Plano de Contigência adotado.

O fato é que quando chegamos a Borda da Mata já era noite e o desvio seria enfrentado pelo estreante Izaias, seguindo a marcação das fitas azuis, seriam 6 Km até retornar novamente ao trajeto tradicional do Caminho da Fé, logo após o Cemitério da cidade.

Tenso, né?

Borda da Mata x Tocos do Moji

Enquanto Izaias corria, Samuel, Tião e Silvestre faziam contas de quanto tempo seria necessário para concluir o trecho, uma vez que era um percurso desconhecido de todos e com ingrata altimetria.

A rigor, pensamos que 48 minutos seriam suficientes para o guerreiro cumprir a missão.

Chegamos na segunda tenda de controle, instalada após o cemitério e encontramos o amigo Ari Braga, de Taubaté, gente da melhor qualidade, sempre prestativo e esclarecedor dos detalhes de trajeto, suporte e dicas.

Bom demais a prosa!!

O tempo foi passando, o semblante de todos foi modificando, Izaias não chegava, inúmeros pensamentos habitavam a cabeça da equipe e do staff da BR 135, nenhum quarteto, duplo ou atleta solo chegavam na tenda para tentarmos esclarecer o ocorrido com o amigo, momento de extrema preocupação.

No olho do furacão Samuel decidiu avançar com o carro apoio, até a Porteira do Céu, cerca de 7 Km para tentar encontrar o corredor perdido, considerando eventual erro de percurso e retorno ao Caminho da Fé mais a frente do local em que estávamos; diametralmente oposto, Tião sugeriu aguardar, entendendo que se ele havia errado o percurso, uma hora teria que retornar e corrigir o erro.

Confesso que não sabia qual postura adotar!!

O tempo é o Senhor da razão, dito e feito, Tião acertou em cheio, Izaias errou a rota e só percebeu o equivoco bem adiante, cerca de 4,5 Km a frente, ou seja, correu 9 Km de grátis!!

Ohhhhh lasquera!!

Confere o mapa do perdido do Izaias!!
O perdido do Izaias
Quando ele nos encontrou, estava desgastado com tamanho esforço, enfrentou 15 Km no escuro, com subidas e descidas insanas, sem ao menos a hidratação necessária.

Cabuloso!!

Para descontrair o amigo e tirar o peso de seus ombros, sugerimos aquela tradicional foto na Porteira do Céu, subliminar por essência, né?

- Perco o amigo, mas a piada não!!
Izaias na Porteira do Céu

Tocos do Moji x Estiva

Aqui começou meu dilema, já não conseguia correr nas descidas, a musculatura do quadríceps estava literalmente destruída e nas subidas mais íngremes o trote era inviável, a musculatura anterior não respondia adequadamente, só me restava aquele trotinho pé de pano no plano, repito: no plano!!

Os demais integrantes ainda estavam soberanos na corrida e assim, compensavam minha letargia.

Estiva x Consolação

Passamos por Estiva e a cidade ainda adormecia, o sol começava a nascer, o próximo desafio seria a Serra do Caçador e aqueles bloquetes de cimento, instalados naquelas curvas malucas.

Em mais uma oportunidade Samuel Sanduba Toledo determinou: 

- Vamos revezar a cada 500 metros!!

Não teve como, paguei o boleto no crédito, caminhei sem medo de ser feliz, né?

VSL!!

Impressionante era a desenvoltura da passada do Tião e do Izaias, parecia que haviam começado a prova naquele instante!!

- Show!!

Consolação x Paraisópolis

No derradeiro trecho, mente e corpo já não se entendiam, a mente queria ir mais rápida, o corpo queria ir mais lento e ambos tinham a mesma justificativa: falta pouco, você consegue ir mais rápido (mente); falta pouco, melhor ir mais devagar (corpo).

Posso estar equivocado, mas até os incansáveis Tião e Izaias já não rendiam na mesma intensidade de antes, o cansaço era nítido, 24 horas de privação de sono se somavam, as subidas insanas na chegada a Paraisópolis, mais conhecida como Mata Cavalo - davam as boas vindas ao Município.

Naquele instante, minha preocupação seriam as escadas, isso mesmo, as escadas após a prova!!

Isso já te ocorreu?

No resumo da ópera:

Nosso Quarteto concluiu a BR 135 em 25 h e 43 minutos - 3º lugar na categoria.

Os guerreiros Eduardo e Eurico - 29 h 17 minutos - 3º lugar na categoria dupla. 

O monstro alienígena do Vanderval Rosa concluiu os 217 Km em 48 h e 18 minutos.

O monstro alienígena do Jorge Coentro, infelizmente abandonou a prova - DNF.

Forte abraço e nos vemos no caminho!!

Seção eu estava lá!!
Izaias, Silvestre, Jorge, Samuel, Eduardo
Tião, Ari, Ana, Eurico


terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Sabiá que voa com João de Barro, amanhece servente de pedreiro!!!

Um dia vou aprender a não cair nas ciladas do amigo Samuel Toledo!!!
Após minha oitava Comrades Marathon, no dia 09 de junho de 2019, na África do Sul, a convite do amigo Samuka, corremos em dupla, os 100 Km do Desafio do Frio - Garanhuns x Caruaru, no dia 04 de agosto do ano passado.

Na sequência, embalado pelos treinos, fui lá em Florianópolis, na companhia da "alma gêmea guerreira - Marileusa Ferreira" para correr no dia 25 de agosto de 2019, os tradicionais 42 Km da Maratona de Floripa e os 21 Km da Meia Maratona.
O passaporte para a 95ª Comrades Marathon estava carimbado com o tempo de 3 horas e 29 minutos - Gate "C".

Hora de zerar o setup, diminuir os treinos de corrida, ajustar os treinos de bike para o final de ano e aguardar a divulgação da lista Team Unogwaja Challenge 2020, um sonho de longa data.
Não me recordo a data, sei que o anúncio do Unogwaja estava prestes a sair, quando recebi o convite do Samuel Toledo para enfrentar em quarteto os insanos 217 Km da BR 135 - edição 2020.

O amigo da onça, ele mesmo!!! me apresentou o nome dos demais que aceitaram o convite: Marcos e Tião, duas feras e parceiros de outras jornadas de corrida. Bom demais!!!
Samuel, Silvestre, Tião e Marcos
De início, comentei que no mês de janeiro não estaria com treinamento adequado para enfrentar os 33 Km iniciais (obrigatórios para a equipe) e depois os trechos alternados que somaram + 39 Km, resultando em 72 Km, subindo e descendo morros na Serra da Mantiqueira.

Até aqui, você não viu nada, não imagina o que tínhamos pelo Caminho da Fé - então, vou contar!!!

Na largada da prova, como praxe, hora de rever amigos conquistados a custa de muito suor, incontáveis fotos, semblantes preocupados, rostos alegres, olhares no infinito, garrafas de água nas mãos, ajustes nas armaduras de guerreiras e guerreiros.

Estávamos novamente na Ultramaratona das Montanhas!!!
largada BR 135 - 2020
As 10 horas da manhã do dia 16 de janeiro de 2020, a largada foi realizada e uma verdadeira procissão de carros e pessoas era vista na estrada velha, em direção a Serra do Deus me livre!!!
Estrada Velha
Só de ouvir o nome da serra já fico apreensivo, o negócio é pesado para quem faz quarteto, imagine para os amigos de Brasília e Goiânia:

Eduardo Rodrigues - Solo 136 Km em 23h 29min;
Eduardo Rodrigues
Vanderval Roza - Solo 217 Km em 56h 36min;
Vanderval Roza
Wilson Bomfim - Solo 217 Km em 56h 43min;
Wilson Bomfim
Jorge Coentro - Solo 217 Km em 35h 07min.
Jorge Coentro
Só gente bruta!!! Vai vendo!!!

No resumo da ópera, sofremos para concluir os 33 Km iniciais, asfalto, terra, trilha, sol forte - todavia, nosso carro de apoio estava pronto para nos auxiliar nos aspectos de hidratação, suplementação e algumas guloseimas. Bom demais!!!
carro de apoio
Na cidade de Águas da Prata, nossa primeira parada para alimentação - você come o que é possível para se manter firme, ademais, no decorrer do caminho, vai se virando com algumas iguarias e bebidas do carro de apoio.
A estratégia do Quarteto BSB PARQUE: cada integrante correria 2 Km e descansaria os 6 Km seguintes.

Passamos pela cidade de Andradas - Samuel degustou um delicioso hambúrguer; Marcos e Tião se programaram para o macarrão da Dona Natalina; no meu caso era banana, melão, paçoca, água, gatorade, soro de hidratação, pão integral com queijo, presunto e salame - oloko!!!
hora do lanche!!!
Nuvens assustadoras nos aguardava na subida da Serra dos Lima e não demorou muito para enxergarmos raios no meio da Serra da Mantiqueira, pouco mais a frente, uma chuva cabulosa obrigou o carro de apoio a seguir pelo desvio, evitando a Subida do Sabão, ponto de tormento para os desavisados.

Em medida de cautela, o carro de apoio seguiu pelo percurso alternativo, entretanto, nos perdemos e a tarefa de retornar ao Caminho da Fé rendeu uma volta enorme de mais de 40 Km. O sofrimento!!!

O monumento ao Menino da Porteira, em Ouro Fino, foi nosso ponto de referência e dali, voltamos no percurso para substituir o amigo Marcos, próximo a entrada da cidade de Crisólia - 15 Km de corrida para o guerreiro!!! Eita cabra bom!!!

A noite avançava, nosso rodízio de atletas seguia bem ajustado, as ruas da cidade de Inconfidentes estavam vazias - naquele local lembrei-me do DNF na única oportunidade que tentei a BR 135 na Categoria Solo, pois foi ali que abortei a missão!!! Quero lembrar mais disso não!!!

Borda da Mata se aproximava - nada diferente acontecia em nosso trajeto, os integrantes do Quarteto BSB PARQUE, corriam os 2 Km e descansavam os 6 Km seguintes. Na praça da cidade, frente a Igreja Matriz, ficamos sabendo que havia em nossa frente: um Quarteto, com 3 horas de vantagem; uma dupla com uma hora de vantagem e um gigante... repito: gigante Leonardo Sant Anna da categoria solo, também com uma hora a frente.

Penso que a notícia da vantagem de 3 horas daquele outro quarteto nos retirou a ousadia e o entusiasmo, pois dali em diante, alternamos corrida e caminhada, o que não vinha acontecendo antes.

A noite cedeu espaço para o dia quando passamos por Tocos do Moji - nada diferente acontecia a não ser a Subida da Porteira do Céu, eita lasquera!!!

Na cidade de Estiva, cometemos erro imperdoável na estratégia: nós quatro, resolvemos tomar café da manhã na padaria que fica ao lado da Pousada Poka, o atendimento demorou bastante e um dos carros de apoio do quarteto que vinha atrás - GRAE Team, chegou na praça da cidade.

Sem sombra de dúvidas, aquela informação foi substancial para a equipe adversária, que no final da Serra do Caçador nos alcançou e desencadeou disputa frenética pela segunda colocação.

A disputa ficou acirrada, ninguém queria ficar para trás - era tiro, porrada e bomba!!!

Se me perguntarem como foi nossa passagem pela cidade de Consolação, vou responder: não me lembro!!!

Confesso que fiquei surpreso de ver os 8 atletas - 4 de cada equipe GRAE Team e BSB PARQUE- correndo com aquela intensidade após 180 Km de revezamento.

Por vezes, registramos ritmos na casa de 4 minutos/Km, independente do terreno, se subida, plano ou descida.

A sorte estava lançada e nenhuma das duas equipes queria ficar para trás!!!
Samuel Toledo
Eis que o Capitão da BSB PARQUE  me solta a seguinte pérola: - agora vai ser na base dos tiros!!!

Nós três - Tião, Marcos e Silvestre, ponderamos que não seria possível e que corríamos o risco de ficar travados no final da prova.

Os argumentos não foram suficientes para demovê-lo da insanidade dos tiros e assim foi - tei, tei, tei!!! só pipoko!!!

E não é que o infeliz acertou!!! - Na passada louca do Samukinha, fomos abrindo vantagem e num passe de mágica, chegamos a Praça da Igreja Matriz de Paraisópolis.
Quarteto BSB PARQUE - 2ª colocação - 27h 28min
Simplesmente inacreditável o poder da ADRENALINA!!! Missão concluída em 27h 28min!!!

Não tenho adjetivos para mensurar aquela Maratona entre Estiva e Paraisópolis, juro!!!
Tiao, Eduardo, Samuel, Marcos - Silvestre e Bomfim
Os amigos que seguiam na categoria solo - Eduardo Rodrigues, Jorge Coentro, Vanderval Roza e Wilson Bomfim, gradativamente foram superando suas provas com muita fibra e determinação. Parabéns guerreiros!!!

Quanto ao título da resenha: é a mais pura verdade!!!

Forte abraço e nos vemos no caminho!!!

Dionisio Silvestre

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