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Extrema - Minas Gerais |
Ele explicava que, frente às adversidades e aos desafios, que maltratam e machucam os atletas, muitos amaldiçoam a experiência de uma prova desgastante e sobre humana. Por vezes, juram não mais voltar, entretanto, corredor é bicho neurótico e incessantemente buscam a superação individual.
O amigo Pedro Sobrinho, não fugiu à regra. Confiram o relato de sua primeira corrida de montanha em 2008.
O amigo Pedro Sobrinho, não fugiu à regra. Confiram o relato de sua primeira corrida de montanha em 2008.
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No início de 2008, eu procurava algo
diferente das corridas de rua que normalmente acontecem aqui em Brasília,
pesquisei bastante e descobri que havia uma corrida em trilha, na cidade de Extrema,
um pequeno Município no extremo sul do estado de Minas Gerais, em plena Serra
da Mantiqueira.
Com aquelas primeiras informações e
desinformações - sobre o local, o desafio e o desconhecido - cheguei à
conclusão que faria aquela corrida. Naquele instante mágico, eu transpirava
motivação. Conversei com minha amiga Sandra (hoje minha esposa), bem assim, com
outros dois amigos - Renato e Luana - e, em grupo, decidimos nos preparar para
aquela aventura.
Na condição de bom mineiro - nascido em
Bocaiuva - ao tempo em que me preparava para o desafio, também planejava a
viagem, pesquisando as condições de hospedagem, a melhor forma de chegar ao
local, enfim, vários assuntos foram sendo abordados nas conversas de nosso
pequeno grupo.
Diante das características da prova – 24
km em trilhas de montanha e à noite – nosso grupo passou, resguardadas as devidas
proporções, a treinar próximo às condições que teríamos.
No início, utilizei o Parque da Cidade, correndo
pela grama e fugindo da iluminação noturna do local. Recordo-me que
na viagem de volta à Brasília, aqueles primeiros treinos foram motivo de muitas
e boas gargalhadas entre os amigos, pois a princípio, acreditava que estava
escolhendo o percurso ideal para enfrentar a prova - com pequenas subidas,
corria no meio do mato e simulando obstáculos - cheguei a utilizar a vala
deixada pela chuva, ou seja, a princípio muito “hard”.
Certa ocasião, o Renato idealizou corrermos
no Jardim Botânico, que a princípio, seria um pouco mais difícil. Naquela nova
metodologia, no feriado de 21 de março de 2008, completamos um treino de 3
horas e chegamos à conclusão, que ali seria o ponto ideal para nossos
treinamentos, entretanto, esquecemos que seria necessário treinar à noite
também, o que seria impossível no Jardim Botânico. Vejam que mal havíamos
decidido por enfrentar a prova de Extrema, e já tínhamos o primeiro obstáculo
para vencer.
Com o auxílio de um GPS, demarcamos uma
trilha de 1,5 km - avaliada como bastante difícil - perto da Ermida Dom Bosco e
ali passamos a efetuar nossos treinos. Por diversas vezes, treinei naquele
local, sempre diminuindo o tempo, chegando a fazer ida e volta em 16 minutos, o
que em tese, me daria algo em torno de 2 horas e 8 minutos para os 24 Km.
Na oportunidade, fiz uma continha de
padeiro, sobrepondo mais 40% no tempo de prova e, cheguei à “brilhante
conclusão” que fecharia o desafio em 3 horas. – Beleza, vai ser mais fácil do
que eu pensava.
Dizem que os mineiros são precavidos, assim,
tendo em conta que estaria enfrentando algo totalmente desconhecido - por absoluta precaução – tratei de montar o Plano B, no propósito de concluir o percurso em
até 4 horas.
Voltando o foco aos treinos - passei a
subir e descer diariamente as escadas para o meu local de trabalho. A rigor,
seriam 10 andares; que equivalem 16, uma vez que em 6 deles, o pé direito é o
dobro dos demais.
No decorrer de nosso período de treinamento,
o Renato me mandou uma narrativa onde outro amigo, descrevia a sua experiência, tal
como estou fazendo agora.
Quando acabei de ler, minha primeira reação
foi pensar que o rapaz estava exagerando, para se auto valorizar, quem sabe até,
com uma boa dose de fantasia. Por ironia do destino, cheguei a comentar com os
amigos que frequentam o Parque da Cidade em Brasília – DF, mal sabendo eu, que
o castigo viria a cavalo!!!
Nossa viagem foi muito divertida - Eu,
Sandra, Renato e Luana - e dentro do planejamento inicial. Quer dizer, quase
tudo, porque no dia 01 de maio de 2008, precisamente às 18:00 horas, chegamos à
cidade e nos deparamos com chuva e frio extremo (detesto frio).
No dia seguinte, a situação foi um pouco
melhor – apenas uma chuva: - que começou de madrugada e foi até a hora de
dormir. Ainda assim, deu tempo de visitar a belíssima região da cidade de Monte
Verde – com paisagens cinematográficas. Um paraíso nas montanhas da Serra da Mantiqueira em Minas Gerais.
Fomos dormir rezando para que a chuva desse
uma trégua, embora sabendo dos estragos que já haviam sido feitos naqueles 2
dias de chuva intensa. Era nítido que a trilha já estava comprometida, totalmente
molhada e escorregadia (mas nunca poderíamos imaginar o quanto).
No sábado, dia da corrida, 03 de maio de
2008, o sol resolveu aparecer, nos proporcionando um belo dia. Foi uma
experiência incrível conhecer as pessoas que estavam na cidade para
participarem da corrida (assim como nós).
À medida que fomos conversando com os
atletas mais experientes na prova, eu comecei a dar mais crédito ao relato
daquele outro amigo. Sem sombra de dúvidas, o bicho iria pegar.
Como diria o amigo Silvestre: - “com a
“armadura do guerreiro pronta” - camel back, lanterna de cabeça, lanterninha de
mão, lanterna reserva, gel repositor de energia e pilhas – às 16:30 horas eu
estava pronto para a empreitada. A seguir, às 17:00 horas, o Diretor da Prova começou
uma explanação sobre as peculiaridades e orientações essenciais da prova.
A primeira dica: - que seria uma péssima ideia correr de camiseta cavada, ou de short curto, pois lá em cima, fazia um
frio assustador. Não titubeei, voltei correndo ao hotel para trocar o short
curto de corrida, por um moletom que tinha levado exclusivamente para dormir.
Só para que o amigo tenha noção do tamanho
da encrenca, a montanha é tão alta que sempre fica encoberta pelas
nuvens, na maioria das vezes, você não consegue enxergar o topo.
Naquele instante me tornei um cristão mais fervoroso
ainda, comecei a rezar para Deus continuar protegendo aquele Diretor de Prova, por muito tempo. Até disse isso pra ele quando terminei minha corrida.
Às 18:10 horas – Com o dia cedendo espaço
para a noite, foi dada a largada - 12ºC de temperatura na parte mais baixa!!!
Largada da Corrida de Montanha - Noturna Pedro Sobrinho - n° 87 |
Os primeiros 2 Km são dentro da própria
cidade, num relevo que lembra muito a cidade de Ouro Preto. Assim que saímos da
cidade, começou uma ladeira acentuada, e ali fui obrigado a caminhar,
contrariando o meu propósito de não caminhar no trecho.
Almejava sempre correr, ainda que fosse bem
devagar, entretanto, não foi possível, tive que caminhar, e enquanto isso já
refazia todo o meu mapa mental, pois percebia que o treino em Brasília, tinha
sido fichinha quando comparado aquele primeiro trecho.
Mesmo assim, comecei a ultrapassar alguns
corredores e aquilo foi me animando. A subida é coisa de louco, são 600 metros de altimetria
positiva, em 4 Km e para complicar ainda mais, por causa da chuva dos 2 dias
anteriores, estava exageradamente escorregadio.
Para que os amigos tenham a exata noção do
imbróglio, a subida do Colorado - ligação do Plano Piloto com a cidade satélite
de Sobradinho - tem um desnível de 200 metros nos mesmos 4 Km de extensão. Em
resumo, multiplique o nível de dificuldade por três e jogue um pouco de óleo no asfalto para simular a lama.
O desespero começou já no primeiro posto de
apoio, quando enxerguei a placa que marcava 4 km. Olhei para o relógio e me
assustei: - 51 minutos de prova. Refiz as contas rapidamente e concluí que
estava no limite de tempo da prova. - Vou acabar com quase 6 horas. Aquilo me
desmontou, foi um balde de água fria, se é que ainda era possível ter água mais
fria.
Pensei comigo: “tanto treino para concluir
a prova no último minuto, ou talvez nem chegar - se a coisa piorar daqui pra
frente”.
Psicologicamente, eu fiquei um caco. Pelas
minhas contas iniciais, deveria passar no Km 8 com 53 minutos, mas como se diz
lá no Maranhão: “eu já estava com água nos peitos” e o jeito era seguir em
frente.
Cheguei a um trecho de mata fechada, mal conseguia enxergar 1 metro à
frente, mas era o tipo de terreno que eu gosto, assim, sentei os cravos,
pretendia recuperar o prejuízo.
Naquele momento, eu tinha plena consciência
que terminaria dentro do limite da prova, que era 6 horas. Animado com o
trecho, mantive uma boa velocidade, eis que surgiu um desnível repentino,
escorreguei e - tichbum - levei um baita tombo, caindo de bunda no chão. P.Q.P.
– como doeu aquela queda.
Ainda atordoado, levantei e continuei na
mesma toada. Um pouco mais à frente, cerca de 200 metros, outro tombo. Dessa
vez um pouco mais sério porque à medida que eu ia caindo, tentei me segurar
numa árvore mas logo desisti, imaginando que havia espinhos - tirei a mão.
Não sei como foi possível, mas caí com o braço
virado para trás e pela dor, pensei que tinha quebrado. Apalpei o local da dor
no braço e percebi que o estrago maior tinha sido no pulso.
Dei um beijo no meu santinho (um crucifixo
que levo sempre no pescoço) pedi a Deus para me proteger, trinquei os dentes e
amedrontado, sentei a bota novamente. O agravante é que eu segurava a lanterna
com a mão esquerda e já não podia contar com a mão direita, caso caísse.
Sacudi a poeira, digo, a lama e continuei
correndo. Com a queda, a lanterninha de mão que tinha caído antes do início da
corrida, começou a dar mau contato - acendia, apagava, acendia, apagava.
Um pouco mais a frente, passei por outro
posto de apoio no Pico dos Cabritos e novo desespero - 6 Km em 1 hora e 29 minutos. Não tinha
jeito, sabia que mais para a frente a coisa ficaria ainda mais feia pois me
recordei da altimetria do percurso. Nos meus piores pesadelos, jamais imaginei
correr a 4 Km
por hora – convenhamos, aquilo era mais lento que andar!!!
Acelerei e resolvi esquecer o relógio, jurei
não olhar mais para o famigerado. A meta passava a ser: “chegar a qualquer
custo, nem que fosse acima do tempo limite de 6 horas”.
Km 10 – Uma luz muito forte explode
repentinamente na minha frente, era o flash do equipamento de um dos fotógrafos
da prova. Apesar do susto, mandei ver na velocidade e cheguei a uma descida -
levei o terceiro tombo, entretanto, não me surpreendi com a queda, pois de
certa forma, eu estava preparado, quando o terreno ficou muito liso. Em mais
uma ocasião, levantei e continuei firme.
A todo momento, me ocorria a dúvida se eu
teria tempo ou não, para fechar a corrida dentro das 6 horas. Sem outra
alternativa, me mantive firme na decisão de não olhar o relógio.
Na escuridão, passei por um mata-burro e
agradeci imensamente a Deus por não ter metido meu pé nas fendas, porque quando
vi já estava no meio dele. Gritei pra um camarada que vinha logo atrás: cuidado
com o mata-burro!!! – Em resposta, ele gritou me agradecendo. Quem participa
deste tipo de prova, sabe a importância do companheirismo e da solidariedade no
decorrer do evento, assim, nascem muitas amizades.
A coisa não estava fácil para ninguém. Um
pouco mais à frente outro mata-burro. Agora éramos 3 correndo lado a lado e
logo avistamos a placa indicativa do Km 12 - seguíamos pela aresta da Serra dos Forjos em direção à Rota dos Ventos. Havia um jovem orientando os
participantes a virar à esquerda.
Aqueles dois corredores que estavam comigo
no último quilômetro, estavam 100 metros à minha frente, não demorou e a
subida me permitiu emparelhar e passá-los, pelo que fui me distanciando. A
subida foi ficando cada vez mais difícil e eu pensando: é já que acaba. Que
nada: - a coisa só piorava. Havia uma lama escura, lisa, misturada com capim.
Na sequência, enxerguei 2 rapazes da
organização. Quando passei por eles um me disse: - Vai com cuidado, aqui tem um
precipício. Você está no Pasto da Morte.
Tinha algo errado, pois o Pasto da Morte é
o trecho mais difícil, e eu tinha lido sobre ele inúmeras vezes e tinha
absoluta certeza de que começava no Km 16. – P.Q.P!!!
Imediatamente me veio à cabeça: – ou os
organizadores erraram feio, ou fizeram de propósito marcando sempre 4 km a
menos só para deixar os pobres corredores ainda mais estressados.
Mal sabia o que estava por vir. Os próximos
1000 metros
seriam dignos de uma comédia. Comecei dando uma corridinha de leve, depois
andando rápido, depois andando devagar. A cada 2 passos para a frente, um
escorregão e descia um pouco de volta. A subida não dava trégua e ficava cada
vez mais íngreme. Aquilo já não era mais uma corrida e sim uma escalada de
montanha. As panturrilhas doíam tanto, que pareciam estar sendo furadas por
pregos.
Aproximei-me de uma cerca para tentar
segurar no arame, mas era arame farpado. Olhava para cima e via vultos, muito
longe. Alguns metros acima, havia outro corredor e vagarosamente fui me aproximando.
Olhava para baixo e via as luzes das lanternas dos demais. Na altura do
campeonato, eu já tinha andado de quatro há muito tempo. Primeiro com pés e
mãos no chão, depois com mãos e joelhos. Haja sofrimento!!!
Agarrava-me no capim baixinho e ia tentando
galgar poucos centímetros de cada vez. Não conseguia imaginar se estava no
começo ou meio. Só sabia que infelizmente ainda não estava nem perto do fim. Jurei
que nunca mais voltaria ali para correr.
Pela terceira vez soltei um P.Q.P!!! - O que
é que vim fazer nessa porra. Devia estar lá em Caldas Novas tomando
um belo banho quente. Enquanto isso, o frio congelava!!! – Alguns críticos de
plantão diziam ter feito 3°C (temperatura para pinguim).
A vontade de desistir era enorme, pensava deitar
de costas e esperar o resgate, todavia, lembrei-me do nome do local: PASTO DA
MORTE – ali não era um bom local para desistir, era melhor avançar um pouco
mais. Na avaliação do amigo Renato: “as vacas só conseguem pastar por aquelas
bandas, se usarem equipamento de rappel!!!!
Nosso preparo psicológico estava indo embora,
literalmente “pro brejo”. O medo tomou conta, olhei para cima e imaginei mais 50
metros para aquele tormento terminar. Me senti de alma renovada, porém, tudo
que era bom, durava pouco. O companheiro da frente vira e me diz: - Cuidado com
esse trecho, porque se você escorregar vai despencar e cair rolando até lá
embaixo!!! Pelo amor de Deus!!! - Tudo menos isso. Orei para todos os Santos
que me recordei.
Engatinhar já não era possível, o jeito era
rastejar, no estilo dos militares, de barriga colada no chão. Naquele
desespero, terminei o Pasto da Morte. - ADEUS FILIAL DO INFERNO!!! – NUNCA MAIS
PISO AQUI!!!
Levantei e logo encontrei 2 colaboradores da organização. Atordoado, perguntei se eles tinham água e prontamente me
responderam: - Só daqui a 2 km!!!
Fui salvo pelo Gatorade da camel back. Bebi
um pouco, engatei uma quinta marcha e detonei. Agora eu sabia que chegaria dentro do tempo limite.
Não sabia quanto, pois me recusava a olhar o relógio, mas conseguiria. Corri
feito louco e cheguei ao topo da montanha de novo.
Era o ponto onde encontrávamos o mesmo caminho da ida no Pico dos Cabritos. Parei para observar a paisagem. Aquilo merecia uma contemplação, tive a
certeza de que DEUS existe, pois ele havia me tirado do inferno e agora me dava
essa visão do Paraíso.
Confesso que fiquei muito emocionado, e só
de lembrar agora, aqui, escrevendo, me emociono novamente. Que coisa linda era
aquela!!! - O céu, as estrelas, a cidade lá embaixo, outra cidade mais à frente.
Tomei outro gole de Gatorade e reiniciei minha
corrida. Passei pelos amigos Maurício e Fernando, de Curitiba, que havia conhecido no hotel. Soltei o grito de guerra, incentivando-os. Agora, já era descida e
eu estava totalmente renovado.
Juntamente com a alegria, recuperei as
energias. Corri muito, muito mesmo. Aí, me deparei com mais um pequeno
problema, inusitado, diga-se. Minha calça velha - de moletom - pesada pela água
e lama, começou a cair. Não havia outra forma, eu tinha que segurar a lanterna,
me equilibrar, porque continuava liso e ainda por cima ficar suspendendo a porra
da calça e isso tudo de luva.
Mas tudo bem, eu corria com desenvoltura. De
repente meu tênis desamarrou e tive que parar. Amarrei o cadarço rapidinho mas
com a luva não ficou legal. Cerca de 500 metros à frente, desamarrou de novo,
foi quando joguei as luvas fora e dei um nó cego no cadarço. - Quero ver essa
merda desamarrar de novo!!!
Ao amarrar o tênis, desequilibrei-me e
quando levei a mão para me apoiar, meti a lanterna numa pedra. O equipamento
que já dava sinais de mau funcionamento, apagou de vez. Pensei: - Tudo bem, já
estou perto da cidade e ainda tenho a lanterna de cabeça. Resolvi não pegar a
lanterna de reserva, que estava na pequena mochila. Senti um vento frio congelar
minhas mãos e logo percebi a besteira que eu tinha feito, ao jogar as luvas
fora. Mas foi meu último contratempo.
Alucinadamente, para espantar o frio, passei
a correr feito louco. Passei 4 corredores na descida e enxerguei outro a
aproximadamente 400 metros à minha frente. A iluminação pública era parceira
naquele instante.
Aos poucos, fui buscando o atleta que estava
à frente, estava sedento quando cheguei ao último posto de apoio, tomei um copo
de água, peguei mais outro. Dei uma bela respirada e reiniciei a
corrida. O outro corredor havia se distanciado, mas me convenci que era possível. Concentrei-me novamente e comecei a correr mais forte. Passei por ele na entrada da última rua da cidade.
Recordei-me do relato que o Renato me
mandou: - “os últimos 800 metros são em subida, muito íngreme”. Agora vai ou
racha. Era óbvio que não conseguiria subir tudo aquilo correndo, evidentemente,
teria que caminhar, mas estava decidido a não ser ultrapassado.
Caminhei por um quarteirão, olhei para trás
e enxerguei o guerreiro ainda mais longe. Respirei aliviado e passei a andar um
e correr dois quarteirões. Extenuado, cheguei ao fim da prova, atravessei o pórtico, peguei
meu santinho dei um baita beijo nele e logo, rezei um Pai Nosso.
Agradeci imensamente a Deus por ter me conduzido
até o fim da prova mais espetacular, mais desgastante e mais emocionante de que
já participei em minha vida. Não acreditei quando olhei para o relógio, que
marcava 3 horas e 38 minutos.
Linha de Chegada |
Incrível!!! – Rezei mais um Pai Nosso em
agradecimento.
Comi o lanche oferecido pela organização,
fui ao hotel tomar um banho e voltei para esperar meus 3 amigos, que apesar de
seus contratempos, terminaram a prova bravamente. Mas penso que esta história
eles mesmos podem contar.
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Renato, Pedro, Luana, Sandra |
No dia seguinte, domingo, voltamos de carro
para Brasília e no decorrer da viagem veio a primeira tentação de quebrar aquela
promessa que eu tinha feito lá no Pasto da Morte.
Para encerrar, deixo aqui um grande abraço
e agradecimentos, aos amigos Sandra, Renato e Luana pela companhia maravilhosa
daqueles 4 dias. Sem eles, a conquista não teria a devida dimensão, sequer teria
conseguido.
Pedro Ivo de Souza e Silva Sobrinho
em 05.05.2008
*** O b s e r v a ç ã o ***
Cinco anos mais tarde, Pedro Sobrinho quebraria a promessa, retornando para conquistar o segundo lugar em sua categoria, na corrida de montanha noturna, embrenhando-se por 24 km pela Serra da Mantiqueira, nas imediações da cidade de Extrema, no sul do estado de Minas Gerais.
Insuperável Pedro,
ResponderExcluirAntes de mais nada, muito obrigado pela oportunidade em reproduzir a "saga" de sua primeira corrida de montanha. Ontem, quando terminei a edição, tentei postar comentário, todavia, me faltavam argumentos para enaltecer sua experiência de superação durante aquele desafio extremo.
Algumas ciências do conhecimento humano nos ensina que em todas as atividades, o indivíduo normalmente deixa sua assinatura particular, demonstrando suas virtudes e eventuais limitações.
Ao passo em que escrevo este comentário, imagino que naquele desafio, eventuais limitações foram superadas pelas virtudes - garra, entusiasmo, firmeza de propósito, obstinação, força, fé, amizade, cumplicidade, disciplina. O texto é proporcional ao tamanho da realização pessoal (gigante).
Ultra abraço e nos vemos no caminho!!!
Silvestre
Parabéns Grande Pedro,
ResponderExcluirA medida que fui lendo o relato fui lembrando de outras histórias, da prova, contadas no parque, lembro também que treinamos para outra prova no trecho da Ermida. Você sempre vai bem nas provas, fruto de treinos duros e focados.
Vejo que nesta prova o desafio é enorme e perigoso, além da dificuldade do percurso tem o frio e a noite, ingredientes que deixam tudo pior ou melhor, como muitos corredores dizem "quanto pior melhor".
Aquele abraço,
Samuel Toledo
Olá Dionísio!
ResponderExcluirTem um e-mail de contato?
Procuramos em seu blog, mas não achamos.
Obrigado!
Olá pessoal,
ExcluirO e-mail para contato - dsfj.silvestre@gmail.com
Ultra abraço e sejam muito bem vindos ao espaço do "Correr é Pura Paixão".
Dionísio Silvestre