domingo, 23 de fevereiro de 2014

O longão de domingo e o fogareiro nas costas!!!


No meio da semana, enviei e-mail ao amigo Samuel, para saber qual seria o treino do final de semana. Em pouco tempo, recebi a resposta:

- No domingão, farei entre 25 e 30 Km, no Parque da Cidade, percurso quase plano, com ritmo programado entre 05:30 e 06:00.

Que beleza!!! - A programação de treino dele estava bem próxima à minha planilha.

- Posso lhe acompanhar amigão? - É claro que sim, vai ser uma honra!!!

- Qual o horário do início do treino? - Acredito que às 8 horas tá de bom tamanho!!!

Não demorou muito para eu receber outro e-mail, informando que o Jorge Coentro iria treinar conosco, porém, era necessário mudar o local do treino.

O novo local: "estrada que sai do Lago Norte, passa pelo acesso ao Varjão, acesso ao Paranoá, Barragem do Lago Paranoá, Ermida Dom Bosco, passando pela alça de acesso da Ponte JK e finalizando o treino no Lago Sul".

Pensei comigo: - É pauleira que vem pela frente!!! o percurso da Volta ao Lago passa naquele trecho!!!

- Samuel!!! você avisou pra ele qual o ritmo que pretendemos fazer no domingo.

- Sim, ele concordou, até porque, está treinando para a Volta ao Lago (categoria solo).

Com a mudança de plano, o estacionamento do Shopping Deck Norte foi o nosso ponto de encontro.

No sábado a noite, quando comecei a separar o material que ficaria no carro de apoio, lembrei-me do insuperável Lindenberg Nunes, um verdadeiro comediante.

Ano passado, quando viajamos para a África do Sul, ele dizia para uma platéia de cerca de 12 a 15 atletas, que a filha dele estava preocupada com suas últimas atitudes:

- Mãe!!! meu pai tá estranho!!! depois que ele falou que iria correr lá na África, só sai para correr carregando um monte de água, comida e de quebra, também leva um fogareiro nas costas!!!

Apesar da sátira com a rotina de treino dos "Ultrapangas", ele tem razão. Por vezes exageramos na dose e levamos suprimentos em excesso, mas pensando bem!!! - Antes sobrar do que faltar.

Em verdade, nesses treinos malucos, busca-se ensaiar e reproduzir o ambiente a ser enfrentado na prova. Aquele material que fica no carro de apoio, quiçá um fogareiro, tem por objetivo: realizar a suplementação hídrica e alimentar, do qual o organismo não pode prescindir. Assim, busca-se diminuir o impacto causado pelas longas e extenuantes horas de esforço físico.


Início: Shopping Deck Norte
Aos poucos, os amigos que participariam daquele treino de 30 Km foram chegando ao estacionamento do Shopping Deck Norte: Dionísio Silvestre, Jorge Coentro, Fábio Rodrigo, Samuel Toledo e Eduardo Rodrigues (laranja). Isso mesmo pessoal, acreditem, ele está de volta!!!

Que legal,  a galera aguardava muito o retorno de nosso querido amigo "dudu". A princípio, ele faria 6 Km conosco e retornaria os mesmos 6 Km, somando-se 12 Km de treino.



Enfrentando a primeira subida!!!


Logo após a chegada do Eduardo Santana, iniciamos o treino às 08:20h, o céu estava nublado, dando sinal que permaneceria daquela forma por um bom tempo. A cada 3 Kms, programamos paradas estratégicas para a suplementação hídrica e alimentar (aquela do fogareiro).





chegando ao Km 3

Logo de início, deu para perceber que não seria tarefa fácil acompanhar o excelente ritmo empreendido pelo Fábio, nessa foto acima, Jorge até correu lado a lado, mas depois viu que seria muito complicado. Enquanto isso, nós comíamos poeira lá atrás.





1ª parada estratégica
A festa começou logo na primeira interrupção do treino, o assunto não era outro senão "treinos e corridas". Pelo que me recordo, era o único momento em que o grupo conseguia se reunir totalmente. Não pretendendo alongar a parada, Fábio anunciou: - Vamos embora que ainda tem muito chão pela frente. Era o momento do Eduardo Santana encarar a fera e Jorge Coentro vir correr conosco no meio da poeira.




Km 6 - o retorno do "dudu"


No ritmo programado nos aproximamos do Km 6. Sabíamos que na segunda parada o Eduardo Rodrigues retornaria para cumprir os seus 12 Km. Valeu Campeão!!!






No exato momento em que paramos para a segunda hidratação, os ciclistas que disputavam a Volta ao Lago passaram em uma velocidade incrível.



Volta ao Lago - Prova de Ciclismo
O céu ainda continuava muito nublado quando nos aproximamos do Km 9.


Sintonia até na passada

Passando pelo Mirante do Casal

Reiniciamos o treino sabendo que Fábio e Eduardo estavam um pouco mais à nossa frente. O ritmo do treino continuava dentro do programado, entre 05:30 e 05:40. Passamos pelo Km 12, fizemos a parada estratégica e nada dos outros dois guerreiros.

Na continuação do treino, nossa fotógrafa de plantão: "Ana", esposa do Jorge Coentro, conseguiu captar duas belas imagens daquele treino matinal, tendo como plano de fundo o Lago Paranoá e a Ponte Juscelino Kubitschek.


Fábio Rodrigo e Eduardo Santana
Ultras do Cerrado e Bsb Parque

Na sequência do percurso, passamos pela cidade do Paranoá. A foto abaixo é um dos raros momentos em que conseguimos correr lado a lado com o gigante Fábio. Não demorava muito para ele sumir à nossa frente.


Chegando ao Paranoá
Já era possível enxergar a Barragem do Lago Paranoá e aquela subida que suga toda a nossa energia. Subimos em um ritmo próximo a 6:00 min/km. O calor havia aumentado e a respiração ficou pesada.

Depois daquela subida, resolvemos ir até lá embaixo na Ermida Dom Bosco. Estávamos com aproximadamente 24 Km de treino.

Para surpresa do grupo, dali pra frente, Samuel Toledo, que timidamente corria no ritmo de 05:30 a 05:40, resolveu correr mais rápido. Passou a ditar o ritmo próximo a 05:00/Km. 

Na mesma velocidade que ele desceu até a Ermida, ele retornou na subida. Sem desanimar, consegui emparelhar no finalzinho da subida. Pura tolice!!!

Foi como cutucar o capeta com a vara curta. O homem deu umas boas respiradas e começou a rodar ainda mais rápido. Como diria os meus filhos "pirou o cabeção". E assim o treino foi se desenvolvendo, a cada oportunidade que eu ou o Jorge conseguia chegar perto dele, o ritmo tornava-se ainda mais alucinado.

Só para vocês terem noção, os últimos seis Kms registrados  pelo meu relógio foram: (05:12 - 05:17 - 05:05 - 05:02 - 05:01 - 05:09). Imaginem o dele que para cada trecho de 3 Km, ficava de 200 a 300 metros à minha frente!!!


Percurso do treino: 30 Km

A imagem abaixo foi captada assim que o treino terminou, na entrada do Conjunto 5 da QL 24. Não me surpreenderia se o fogareiro que Lindenberg tanto fala, estivesse dentro de uma daquelas caixas próximos ao Samuel. E você o que acha? Será que tem um fogareiro ali dentro?


Onde está o fogareiro?

Não preciso nem falar que o treino foi além do desejado, pois treinar junto com os amigos, além de ser um grande incentivo para a melhora da performance, aumenta a motivação significativamente.

Ultra abraço e que os bons ventos continuem soprando a nosso favor!!!

Dionísio Silvestre







terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Quem ainda não flertou com a Meia Maratona?


Quando você abandona o sedentarismo e dá os primeiros passos no rumo da corrida, o corpo reage de uma maneira muito bruta, o coração parece que vai sair pela boca, o pulmão dá indicativos que vai explodir, as pernas anunciam que vão sucumbir ao esforço, os pés, coitados, parecem pegar fogo. Em verdade, instala-se uma revolução interna em nosso corpo.

Amigos!!! - Não tem outro caminho, correr, apesar de ser o exercício mais primitivo, não é fácil, exige doses de paciência, certa dedicação, requer entusiasmo, doses diárias de disciplina e dependendo do seu objetivo, exigirá também, orientação profissional.

Neste último domingo, 16 de fevereiro de 2014, a MKS Eventos, realizou a 5ª edição da Meia Maratona das Pontes. Ao todo, 1.289 atletas completaram o percurso de 21 Km, sendo 261 mulheres e 1.028 homens.
Ponte JK - Cartão Postal de Brasília
A prova que é uma das mais belas do calendário de Brasília, ficará na memória de duas "aspirantes a maratonistas".

Kátia (794) & Lourdes (988)
Vou explicar!!! - Na semana passada, busquei homenagear dois grandes atletas que dispensam comentários. Hoje, vou direcionar a postagem para duas corredoras, Kátia Rosa, irmã querida, galho nascido da mesma árvore e Maria de Lourdes, sua inseparável companheira de corrida, que até então, apenas flertavam com os 21 Km.

Apesar do nível de dificuldade da Meia Maratona das Pontes, penso que a prova foi e será uma experiência inesquecível para as duas.

Duvida? - Acompanhe a imagem ao lado, que foi captada logo após a conclusão da prova. Olha o sorriso!!! :-)

Há algum tempo, essas duas figurinhas carimbadas, incorporaram a filosofia do "tira do sofá e bota prá correr" (literalmente). No início, como de praxe, vieram as primeiras provas de 5 Km e à medida que a revolução interna se acomodava (coração, pulmão, pernas e pés), elas foram alçando voos maiores.

Aos poucos, as provas de 10 Km e o prazer de correrem juntas, foram se tornando habituais entre as amigas. Foi quando surgiu a indagação: - Quando é que vamos correr os 21 Km da Meia Maratona?

O coração já havia amansado, o pulmão já não sofria tanto com a crise de asma, as pernas estavam fortalecidas, os pés se tornaram verdadeiras máquinas e prontos para o bom combate.

De forma organizada e sem atropelos, elas programaram seus treinos, levantaram da cama com o cantar do galo e foram treinar para a estréia nos 21 Km.

Para as mulheres é extremamente difícil conciliar uma "tripla jornada" (casa, trabalho e corrida).

No calendário de corridas da capital, havia uma meia maratona no mês de fevereiro.

- Que tal essa Meia Maratona das Pontes? Sem pestanejar, realizaram as inscrições.

Durante a comemoração do aniversário de Dona Valdelice (nossa mãe) fiquei surpreso quando Kátia me falou que iria correr a tal meia maratona. Na minha avaliação, em função das subidas, é a meia maratona mais difícil de Brasília.

Imediatamente perguntei: - Irmãzinha, tá treinando subidas? Recebi como resposta o silêncio. Retruquei: - Já vi que não, más ainda dá tempo de fazer algo. - Você está disposta a fazer um treino com subidas para que o psicológico fique fortalecido para o dia da prova? Dessa vez a resposta foi positiva.

No sábado seguinte, faltando duas semanas para a corrida, compartilhamos com os amigos "Thiago e Lourdes" um treino de 16 Km, que saiu melhor do que o esperado. No trajeto, incluí subidas e descidas e eles passaram pelo percurso sem maiores problemas.
Percurso do treino - 16 Km
Vencido aquele primeiro obstáculo, era o momento de continuar o treinamento com pequenas corridas e depois aguardar o dia da prova.

Os dias se passaram com uma velocidade absurda, quando em uma sexta feira, por intermédio do "zap zap", recebi mensagem confirmando o horário que eles (os três) passariam em minha casa, com destino ao Pontão do Lago Sul, local da largada e da chegada da prova.

Separei mochila, bermuda, camiseta, óculos escuros, tênis, meias, relógios, enfim... tudo que seria necessário naquela aventura.

Na noite de sábado para domingo, caiu um dilúvio em Brasília, fiquei receoso se o clima iria continuar conspirando na manhã de domingo. Para evitar surpresas, chegamos cedinho ao Pontão do Lago Sul. As nuvens ainda permaneciam muito escuras!!!
Largada da 5ª Meia Maratona das Pontes - Brasília
No horário programado, às 07:30h a largada da prova foi realizada. Nós quatro (Kátia, Lourdes, Thiago e Silvestre) largamos no final da multidão. A meta inicial era rodar próximo do ritmo do treino, pace entre 06:15 e 06:30. A intenção era terminar a prova de bem com a vida e com aquele gostinho de quero e posso mais!!!
Nuvens escuras no caminho!!!
No início da corrida, com muita disciplina as duas amigas respeitaram o cronometro e, Km a Km, foram começando a vencer a batalha. O sol não havia mostrado a sua face quando passamos pelo primeiro posto de hidratação no Km 3, próximo à Procuradoria Geral da República na Avenida das Nações.

Em decorrência do entusiasmo, minha irmã não conseguia parar de falar, parecia extasiada com aquele momento, fui obrigado a contê-la e avisar: - Tenha calma, pois só estamos começando, ainda falta muito pela frente.

Não tinha jeito, vez por outra, quando ela enxergava uma placa indicativa de distância percorrida, começava uma comemoração. Ato contínuo, levava outro puxão de orelha.

Vou explicar a minha atitude: - De certa forma, estou calejado com as corridas e sei o quanto é difícil você ficar entusiasmado no início e depois não atingir a meta programada. A meu entender, a comemoração é típica para o final de prova, quando tudo já está resolvido.

Diametralmente oposta, Lourdes mantinha-se resignada e confiante na corrida. Em algumas oportunidades eu perguntava se estava tudo bem e ela apenas balançava a cabeça, bom sinal, demonstrava concentração na prova.

No final da Ponte JK, com aproximadamente 10 Km de prova, entramos na ciclovia do Lago Sul. Era o momento de enfrentar a parte cruel da prova, as subidas!!! - O sol começou a querer mostrar suas garras, todavia, ficou contido pelas nuvens.

Na minha avaliação, o ponto positivo da corrida ficou por conta dos postos de hidratação, a MKS Eventos acertou em cheio quando disponibilizou copos e garrafas de água, assim, neste aspecto, só houve elogios dos participantes.

O momento crucial da prova foi enfrentar a subida mais difícil do percurso, que fica na altura do Km 17, foi necessário cadenciar o ritmo naquele trecho. Ali, tive a certeza que as duas guerreiras haviam vencido a batalha. Só não falei nada na hora, é claro!!!
Imagem: Corre pra foto
Nesse batidão, a corrida foi se desenvolvendo naturalmente. Olhei para o Garmin e verifiquei que faltava pouco menos que 2 Kms para o final da prova.

No final da corrida, cerca de 8 a 10 pessoas seguiam nossos passos, quando anunciei que as subidas haviam terminado. Já dava para iniciar uma tímida comemoração.
Dupla Dinâmica
Não demonstrei no desenrolar da prova, mas agora posso anunciar aos quatro ventos o meu orgulho ter corrido uma meia maratona ao lado de minha irmã.
Percurso da Meia Maratona das Pontes - 21 Km
Após 2 horas e 16 minutos, as duas amigas, juntas, em corpo e alma, cruzaram a linha de chegada da Meia Maratona das Pontes, desmistificando por vez os 21 Km.


*** O flerte transformou-se em Pura Paixão ***


Seção "Eu estava lá"

Como você pode notar nas últimas postagens, este espaço é destinado aos "cliques" das máquinas fotográficas e outros dispositivos que captem imagens.
Os Vencedores do dia!!!
Lourdes, Thiago, Kátia e Josilda
Quarteto Fantástico
Trio Parada Dura

Kátia, Lourdes, Silvestre, Samuel e Márcio





quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A um passo do Green Number Club


Ao retornar da Ultramaratona - BR 217, na Serra da Mantiqueira, me surpreendi com a insistência do amigo Wilson Bomfim, para que eu lesse o livro: "O Ultramaratonista", onde a lenda "Dean Karnazes" faz relatos de alguns episódios de sua vida.

Nos primeiros dias de fevereiro, sabendo ele de minha predileção por leitura, comentou: - Amanhã, vou lhe trazer o livro do Dean Karnazes para você. - Acredito que vai gostar muito da leitura. - Espere para ver!!!

Aceitei o empréstimo do livro, iniciando uma leitura despretensiosa. Ocorreu que, logo nas primeiras páginas me identifiquei totalmente com a narrativa. Diante do entusiasmo e da emoção que o texto transmitia, acabei devorando o livro em apenas dois dias.

Mal acabei a leitura, comecei a refletir sobre dois parágrafos, muito interessantes, o primeiro sobre algo que eu ainda não tinha pensado e o segundo sobre sonhos. Vejamos:


"Para a maioria das pessoas que não são corredoras, correr é, na melhor das hipóteses, uma chatice, e na pior, uma coisa terrivelmente dolorosa e sem sentido."
[...] 
"Quase todos os sonhos têm morte lenta. São concebidos num momento de paixão, com a promessa de possibilidades infinitas, mas muitas vezes acabam definhando e não são perseguidos com a mesma intensidade profunda de quando nasceram."
Dean Karnazes

Durante essa reflexão, a segunda frase sobre "sonhos", ficou martelando minha mente, daí, lembrei-me que esse mesmo amigo que me emprestou o livro, buscava concretizar um sonho de quase uma década.

Imaginei que a história desse sonho seria um prato cheio para uma postagem. É evidente que o pensamento é muito veloz!!!



- Caramba!!! ele vai disputar a Comrades pela nona oportunidade e continua perseguindo o sonho com a mesma intensidade de sempre.

- Nesse ritmo, se não vacilar na prova deste ano, ele estará "A um passo do Green Number Club."



Em sigilo, sem que o gladiador do asfalto soubesse, coloquei a matéria em pauta e comecei a desenhar o formato da resenha. Então, o que falar sobre esse tal de Green Number Club?

Inicialmente, consta que há 42 anos, esta honraria foi idealizada para homenagear e perpetuar o número que o atleta carrega durante a corrida.

Na Comrades, a partir da sua primeira participação, você utilizará o mesmo número, ano após ano. No meu caso, o número 52574 - foi utilizado em 2012, 2013 e será usado novamente em  01 de junho de 2014.

Em uma linguagem bem coloquial, diríamos que o atleta pode entrar para o Green Number Club por três portas, ou seja, basta atender um dos 3 critérios abaixo:

1) O primeiro e mais complexo deles: "vencer a prova em 3 oportunidades (homens e mulheres)". Em verdade, poucos atletas alcançarão essa meta. Na minha visão, esse é um critério extremamente seletivo. Entrar por esta porta é tarefa árdua e para poucos corredores.

2) Quem sabe o segundo critério: "cinco medalhas de ouro", ou seja, o atleta que cruzar a linha de chegada entre os 10 primeiros colocados (homens e mulheres) por 5 oportunidades. Caramba!!! não tem jeito, esse é outro critério muito difícil de se alcançar, também é casca grossa.

3) Que tal o terceiro e último critério: "conquistar 10 medalhas da prova (homens e mulheres)". Nossa!!! outra meta um tanto quanto pesada!!!

Mas vamos pensar melhor!!! - Se o atleta gostar da prova, for perseverante e tiver longevidade na corrida, poderá conseguir essa proeza após dez anos de sucesso e por via de consequência, ter seu número perpetuado.

Dali em diante, ostentará o tão desejado "número verde".

Apesar da criação do Club ter ocorrido em 1972, sua aplicação deu-se retroativamente, de maneira que a lista de corredores corresponde de fato a todos os atletas que possuem ou atendem a um dos três critérios.

O que posso falar sobre nosso protagonista?


Bomfim e a Bandeira do Brasil
Posso começar falando que há quase uma década, de maneira singela e sem alardes, ele alimenta o sonho de entrar na lista do Green Number Club. A saga desse abnegado corredor iniciou-se em 2006, antes mesmo de conhecê-lo.

Posso falar também que o sonho começou a partir de uma situação hilária, ocorrida em 2007, na Bonitas Comrades Expo, quando ele tentou comprar uma camisa de manga comprida, na cor verde, toda estilizada.

Naquela ocasião, ele recebeu do atendente a seguinte explicação:

- No, no, no... just green number!!!

Resumindo: aquela camisa cheia de estilo, só poderia ser vendida para um membro do Green Number Club. E naquela altura do campeonato ele era apenas um novato!!!

Recentemente, entre uma conversa e outra que tive com o mestre, ele confidenciou:

- Silvestre, depois do Nato Amaral (Paulo Renato Amaral) que já é Green Number e vai correr sua 12ª Comrades e do Médico André Arruda, que sem sombra de dúvidas, vai ser Green Number esse ano de 2014, eu e a Ana Márcia, seremos os próximos em 2015!!!

O inicio de tudo - 2006

Foi quando me dei conta que eu já havia comentado aqui no blog sobre a amiga do Mato Grosso do Sul, que também busca concretizar o mesmo sonho.

E no caso específico da Ana a questão e mais emblemática, pois ela será a 1ª mulher Brasileira e 1ª mulher Sulamericana a ser incluída no Green Number Club. 

Viram que por muito pouco não cometo uma gafe aqui no Correr é Pura Paixão!!!

É claro que há espaço para homenagear esses dois guerreiros e reproduzir um pouco do que eles viveram durante a prova, só me exigiria um pouco de habilidade para extrair essas informações sem que eles percebessem o que eu planejava.

Vou começar com uma passagem da corredora do Mato Grosso do Sul. Amigos!!! acreditem - Sua estréia na Comrades ficará marcada eternamente. Naquele ano de 2006, o percurso era "up run" e com muita garra, ela concluiu a prova em 09:00:35 - recebendo a medalha de bronze.

Para muitos, seria o momento de muita comemoração. Ocorre que corredor é bicho besta, busca sempre a superação individual e muitas vezes, quando termina a prova bem fisicamente,  fica com aquele gostinho de quero mais.

Aqueles míseros 35 segundos, impossibilitaram-na de receber a "Bill Rowan", a medalha que é destinada aos que completam a prova sub 9 horas. Veja na imagem abaixo as medalhas que são distribuídas na Comrades Marathon.



Com a voz embargada, em 2012, no hall de entrada do Beach Hotel, em Durban, ela me falou da sua estréia. À medida que ela avançava na conversa, dava para perceber que uma enorme cicatriz ficou gravada na alma da guerreira que carrega o número 30.050.

A explicação é simples: - Aquela tão desejada medalha tem uma simbologia especial. Em 1921, o primeiro vencedor da Comrades Marathon foi "Bill Rowan", com o tempo de 08 horas e 59 minutos.

Não teve jeito, após a linha de chegada da prova de 2006, alternando momentos de euforia e de desapontamento Ana Márcia só conseguia chorar, pelos dois motivos é claro!!! Confira a matéria que circulou na Contra Relógio, edição nº 175, abril de 2008.

Linha de Chegada - 2010
Quanto ao meu parceiro Bomfim, ele elege o segundo ano de participação na Comrades como o de melhor desempenho. Era o ano de 2007, o sentido da prova "down run", quando pela segunda ocasião, com o número 30.059 - recebeu a medalha "Bill Rowan", concluindo a prova em 08:45:44.

Avizinhando-se a edição da Comrades de 2014, Ana Márcia detém 08 medalhas (06 de Bronze e 02 Vic Clapham), igualmente a Wilson Bomfim (02 Bill Rowan e 06 de Bronze).




Não poderia encerrar esta postagem, sem antes desejar: - Vida longa aos abnegados amigos e que os bons ventos continuem soprando a nosso favor!!!

Dionisio Silvestre


Seção "Eu estava lá"


Comrades 2009 - Samuel (new style)
Aeroporto de Johannesburg - Aniversário do Lucas (em pé)
 
enfrentando o frio da largada em Pietermaritzburg
Samuel, (?), Bomfim, Eduardo, Ana e Margareth
Orgulho de ser Brasileiro (até com a bandeira invertida)
Samuel Toledo e a placa do Bomfim
Ana, Bomfim, Eduardo, Samuel, Ariovaldo









terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Suor e Sangue na Ultramaratona das Montanhas

Acredito que peguei pesado na escolha do título da postagem, mas, "Suor e Sangue" foi tão somente o nome escolhido pela dupla Wilson Bomfim e Dionisio Silvestre, da Equipe Bsb Parque - Brasília/DF, por ocasião da Ultramaratona das Montanhas - BR 135, edição 2014, que foi disputada na distância de 135 milhas, ou seja, 217 Kms, percorrendo o caminho da fé na Serra da Mantiqueira, pelas estradas de terra e asfalto, que ligam a cidade de São João da Boa Vista no Estado de São Paulo à cidade de Paraisópolis no Estado de Minas Gerais.

A tradicional "Ultramaratona das Montanhas", que em 2014, celebrou uma década de existência, foi disputada entre os dias 17 e 19 de janeiro de 2014.

Estavam presentes 220 atletas, de 17 nacionalidades: Alemanha, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, Costa Rica, Chile, Emirados Árabes, Espanha, Estados Unidos, Filipinas, França, Guiana, Índia, Sérvia e Uruguai.

As categorias disputadas foram: BR 135 - Solo com 130 atletas; BR 217 - 15 Duplas = 30 atletas; 04 Trios = 12 atletas e 12 Quartetos = 48 atletas.

Comentei na postagem do ano passado que para participar desta prova é necessário ter um "curriculum esportivo robusto", de forma que você deve conhecer o caminho da fé, bem como, possuir experiências em ultramaratonas que o credenciem e assegurem a sua efetiva participação no desafio.


Para 2014, os critérios de qualificação foram flexibilizados, tendo em conta a intenção da Comissão Organizadora da Prova, sob a Coordenação do "incansável Comandante Mário Lacerda", no sentido de reunir o maior número possível de ultramaratonistas, para a comemoração, em grande estilo, dos 10 anos da BR 135.

Era a oportunidade que eu precisava, aceitei o convite do meu amigo e mestre Wilson Bonfim para compor uma dupla.

A partir do mês de junho de 2013, foram sendo divulgados os critérios de qualificação para os atletas que pretendiam participar deste evento especial. Apesar da intenção de muitos amigos corredores, nem todos foram aceitos pela Comissão Organizadora.


A perspectiva inicial da prova era das mais alvissareiras possíveis. Nos bastidores, havia notícias que a disputa da categoria solo seria muito acirrada.


Essas notícias foram confirmadas quando da divulgação da relação de aceitos no mês de outubro passado, destacando-se os atletas: Adilson José Pereira (Ligeirinho), Campeão da BR 135 nos anos de 2008 e 2009; Kurt Lindermuller, Costa Rica, Campeão da BR 135 no ano de 2011; Eduardo Silvério Calisto, Brasil, Campeão da BR 135 nos anos de 2012 e 2013; e Oswaldo Lopes, México, Campeão da Badwater nos anos de 2010 e 2011.

Não menos importante, nossa dupla Suor e Sangue - Equipe Bsb Parque, foi aceita para participar do evento, de forma que iríamos compartilhar o caminho da fé com outros corredores de Brasília - DF, quais sejam:

Na Categoria Solo: Samuel Toledo (Bsb Parque), Ornaldo Fernandes Lima (Só Canelas), Fábio Rodrigo Machado (Ultras do Cerrado) e Rodrigo Pereira Reinaldo de Souza (Ultras do Cerrado).

Na Categoria Dupla: Nelson da Silva Junior e Vagner Mercadante Junior (Ultras do Cerrado).

Na Categoria Trios: Jorge Paes Coentro, Paulo Rodrigo da Silva Guimarães e Marcelo Joffily França (Ultra dos Cerrado).

No ano passado, pela primeira oportunidade, respirei a atmosfera da prova na condição de equipe de apoio do meu amigo Wilson Bonfim e logo que retornei a Brasília, redigi e postei o relato "A Ultramaratona das Montanhas - BR 135".

Para este ano, cogitei agregar imagens da prova, fatos pitorescos, dicas e informações que nosso grupo de corredores de Brasília julgassem interessantes em divulgar.


Idealizei também, a Seção "Eu estava lá", que reunirá imagens capturadas pelo nosso fotógrafo de plantão, que nesta oportunidade foi o amigo João Costa. Vale a pena conferir, ela estará logo após a conclusão do relato.

De toda a sorte, resolvi propor aos amigos das Equipes Ultras do Cerrado, Só Canelas e Bsb Parque, o desafio para que eles construíssem textos e imagens, para posterior junção, levando-se em conta os marcos (Kms) e as cidades do caminho da fé.


O resultado prático disto seria a construção e postagem de um relato coletivo, no Blog Correr é Pura Paixão, permitindo ao leitor visitante, a noção do ambiente de camaradagem, de companheirismo e os diferentes níveis de participação na prova, nas categorias solo, duplas e trios.



Almoço com os atletas e Pré Race Meeting
Pois bem, para facilitar a compreensão do leitor, a narrativa levará em conta as cidades ao longo do percurso, de forma idêntica ao que foi utilizado no ano de 2013.

Na véspera da prova, quinta-feira, a galera de Brasília deslocou-se até a Sociedade Esportiva São Joanense, que fica no Largo Emanuel Barbeito, para identificação e entrega das "drop bags", entrega de documentos, BIBs, bem como, participar do almoço que foi oferecido pelo Prefeito da cidade de São João da Boa Vista, e a seguir, participar do "Pré Race Meeting".

São João da Boa Vista - Km 0

Na sexta-feira, 17 de janeiro de 2014, a Praça Coronel Joaquim José em São João da Boa Vista, amanheceu multicolorida, aproximava-se o momento da largada da 10ª Edição da BR 135 - A Ultramaratona das Montanhas.

Esq/Dir. - Silvestre, Bomfim, Samuel, Fernandes, Rodrigo, Fábio, Marcelo, Nelson
Aquele frio na barriga, que era característica das primeiras corridas em 2007, havia retornado avassalador, eu tentava disfarçar, mas não tinha jeito, era evidente a minha euforia de correr pela primeira oportunidade a BR 135.

Naquele ambiente de confraternização, a largada da prova deu-se às 08:00h, a dupla "Suor e Sangue" e mais uma legião de corredores, começavam a percorrer os 217 Kms da prova, ou seja, parte do caminho da fé. A imagem abaixo foi compilada do Jornal "O Município", edição do sábado, 18.01.2014.
Jornal "O Município", edição do sábado, 18.01.2014.
Aos poucos, o clima de comemoração foi cedendo espaço para uma atmosfera de extrema concentração e absoluta determinação. Os primeiros Kms são corridos dentro da cidade de São João da Boa Vista e a seguir, em um trecho de estrada de asfalto. Dali para frente, serão estradas de terra batida e muito pouco asfalto.

Estrategicamente, com 4 Km de prova, fizemos a primeira substituição, Wilson Bomfim iria descansar no carro de apoio, enquanto eu correria os 6 Kms seguintes. 

Naquele momento, uma garoa paulistana começava a cair, porém, por pouco tempo.
Ari (a frente), Terry Sentinela, Seatle, USA (amarelo) e Silvestre (azul)
A segunda substituição deu-se por volta do Km 10 - tendo em conta que dali pra frente não seria possível ao carro de apoio, acompanhar o atleta no restante do percurso até a cidade de Águas da Prata.

Esse trecho tem uma característica muito peculiar, os atletas entram em uma floresta.

Em verdade, trata-se de uma trilha estreita e extremamente escorregadia. Embora não tenha chovido no dia anterior, aquele trecho é sempre complicado, por conta da umidade natural da vegetação densa.
Olha o garotinho aí gente!!!
Após correr o meu primeiro trecho de 6 Km, fui refletindo como a sabedoria divina nos fez únicos. Vou explicar!!! enquanto alguns corredores se mantinham silentes e resignados com a missão, outros ficavam tagarelas, extasiados com aquele momento.

Águas da Prata - Km 19

Mais uma transição seria feita, escolhemos um ponto estratégico para montar a estrutura de apoio da dupla Suor e Sangue - Equipe Bsb Parque.

Naquele ponto se somariam mais 8 Km, totalizando 19 Km na planilha de controle. Tudo transcorria dentro do esperado.
os paparazzi não davam descanso pra gente!!!
Base do Pico do Gavião - Km 32
Nos vemos no caminho!!!
A saudação "Nos vemos no caminho", pode ser percebida na imagem acima. Para que você possa entender essa filosofia, vou editar a foto e destacar o ambiente de camaradagem entre os atletas da Equipes Só Canelas (Brasília - DF) e a Equipe Bsb Parque (Brasília - DF).
Ornaldo Fer(a)nandes (Só Canelas) e Wilson Bomfim (Bsb Parque)
Coube ao guerreiro Wilson Bomfim chegar ao ponto de maior altimetria da prova, ou seja, o famoso Pico do Gavião, que fica a 1.663 metros acima do nível do mar.

Em palavras não consigo traduzir a magia de passar naquele local. Vou tentar por imagem


Bomfim no Pico do Gavião - 1663 metros de altitude
Retornamos à Base do Pico do Gavião sem maiores problemas, a temperatura estava confortável, não havia sinal de chuva e a dupla prosseguia adiante.

Andradas - Km 63

No caminho para Andradas, um pequeno riacho é transposto pelo carro de apoio. Os atletas passam por um pequeno desvio, evitando molhar o tênis.

Nosso revezamento era efetuado a cada 4 Km, ou seja, conseguíamos correr em ritmo confortável, sem muito desgaste e ainda ter tempo suficiente para hidratação, alimentação e descanso, repondo as energias dentro do carro de apoio.

Para você ter uma noção da dinâmica empregada, acompanhe a imagem abaixo.

A linha de tendência azul representa o pace do corredor e a linha de tendência verde a altimetria do terreno. No geral, o pace (parcial) era 06:52 min/km, o ganho de elevação de 1.682 metros e a perda de elevação igual a 1.130 metros.
Km 0 até Km 45.5
O relógio Garmin 405CX - começou a indicar que a bateria estava fraca, assim, no Km 45,5 - efetuamos a troca pelo Garmin 910XT, pois a intenção era mapear todo o percurso para demonstrá-lo neste relato.
Uma descida no meio do caminho!!!
Em decorrência da transição a cada 4 Km, fiquei com a responsabilidade de chegar à cidade de Andradas, enfrentando uma descida muito forte e depois o trânsito urbano da cidade. A atenção redobrou quando passamos por lá.

Pouco tempo depois, chegava a oportunidade do amigo Bomfim enfrentar o trânsito do local. A atenção continuava a mesma, era um olho no padre e outro na missa!!!

Dentro da normalidade passamos pelo local e pegamos novamente a estrada de terra.

Serra dos Lima - Km 77

Para chegarmos à Serra dos Lima enfrentamos longas subidas em estrada de terra batida e depois um trecho asfaltado que possui uma inclinação alucinante. Infelizmente não tenho imagens do trecho de asfalto.

Naquela altura do campeonato, o sol começava a mostrar suas garras. Era necessário muita hidratação para prosseguir na luta.
Parada estratégica para hidratação
Nas ocasiões em que estive correndo nesse horário, utilizei um boné que possui proteção para a parte da nuca e que cobre parte dos ombros.

Barra - Km 84

Após passarmos pela cidade de Barra, a chuva começou com pingos enormes, fiquei muito receoso pois o nosso carro de apoio era o Azulão, o Vectra do Bomfim.

Com muita habilidade e perspicácia nosso amigo João Costa passou por um trecho de subida muito escorregadio.

Posteriormente, ficamos sabendo que naquele local se formou um verdadeiro engarrafamento de veículos. A chuva havia aumentado e os carros de apoio não conseguiam prosseguir.

O resultado prático disto foi que os carros 4 x 4 (desejável para a equipe de apoio) passaram a auxiliar os veículos de tração simples. Mais um exemplo de companheirismo.
Nosso sonho de consumo para os próximos anos!!!
Crisólia - Km 99

O trecho até a cidade de Crisólia possui algumas subidas íngremes, mas nada comparado com Serra dos Lima, que já havia ficado para trás.



No computo geral, com muita fé, seguimos dentro do esperado. (desculpe o trocadilho)

Ao entardecer, João Costa, agora na função de cozinheiro chefe, aqueceu um pouco de água para que a dupla de corredores ingerisse alimento de fácil digestão e que necessariamente não fosse adocicado. Elegemos o famoso macarrão instantâneo. Que delícia!!!

Ouro Fino - Km 106

Minha chegada à Ouro Fino foi um pouco traumática, à minha frente o céu já estava muito escuro e à minha direita as nuvens disparavam raios e trovões um atrás do outro. Olha que esse ano é a segunda vez que passo por esse constrangimento. Vai ser azarado assim lá na (...)

Minha preocupação estava relacionada ao fato de estar portando aquelas lanternas de cabeça. Para meu alívio, a chuva começou e os raios cessaram, o dia se tornou noite.

Anoitecendo, não enxerguei as setas do caminho da fé, assim, em uma bifurcação da estrada, me perdi próximo à chegada da cidade de Ouro Fino, ainda bem que consegui ver o carro de apoio indo para o lado correto, todavia, como eles não me viram, acreditavam que eu estava mais à frente.

Nesse momento, passei pelo carro de apoio do Fábio e do Rodrigo, o veículo estava estacionado em frente a uma Pousada que auxilia os peregrinos no caminho da fé. Após a prova, fiquei sabendo que eles utilizaram aquelas instalações para uma ducha quente e uma rápida refeição.

Por intermináveis Kms, fui correndo e pensando: "vai chegar uma hora que minha equipe de apoio vai ter que voltar". Dito e feito, quando chegou a 6 Km de trecho, o carro de apoio chegou. Nesse momento a chuva começou a diminuir e logo a seguir parou totalmente.

Inconfidentes - Km 115

A noite trouxe na bagagem o frio, não hesitei, troquei todo o material molhado (bermuda, camisa e meias), a seguir, fiquei aguardando a chegada do Bomfim no ponto de transição.

Para minha surpresa enxerguei três pequenas luzes no meio da escuridão: Eram as lanternas de cabeça de Bomfim, Fábio e Rodrigo.
Rodrigo - nº 1148
Como eu havia previsto no início da postagem, por alguns poucos kms, verdadeiramente foi possível compartilhar o caminho da fé com aqueles dois gigantes.

Foi muito gratificante correr ao lado desses camaradas. Vida longa à Equipe Ultras do Cerrado!!!

Borda da Mata - Km 137

No caminho de Borda da Mata, sofri demais com a temperatura da madrugada. Não tinha jeito, ao descer do carro de apoio começava uma tremedeira doida. Por vezes coloquei a blusa do agasalho, todavia, quando começava a correr o corpo esquentava e logo começava a transpirar muito.

Igualmente, Wilson Bomfim iniciava seu trecho com a blusa do agasalho e assim que o corpo esquentava, ele a retirava, evitando a perda de líquido em excesso.

Tocos do Moji - Km 153

O cansaço vagarosamente tomava conta dos dois atletas e por via de resultado de nosso único integrante da equipe de apoio.

Houve um momento em que corri o trecho e ao chegar ao carro de apoio, percebi que ambos estavam dormindo (João Costa e Wilson Bomfim).

Para não perdermos tempo, acordei-os e falei que iria prosseguir um pouco, até que eles estivessem aptos para efetuar a transição.

Naquele momento, diante do cansaço optamos por reduzir o trecho de corrida de 4 para 3 Kms. Assim, na média, teríamos meia hora de descanso por meia hora de corrida.

Quando passamos por Tocos do Moji, havia uma equipe da organização da prova (suporte e controle), muito empolgada para aquela altura da prova.

Era madrugada quando fiquei sabendo da desistência do Capitão da Equipe Bsb Parque, Samuel Toledo, nº 1049, que estava em corrida solo. A princípio, próximo a cidade de Crisólia (99 Km) ele foi acometido de uma indisposição relacionada à digestão de alimentos. Uma pena, pois o camarada é gente finíssima, agregador, disciplinado e extremamente organizado.

Estiva - Km 175

O dia começava a amanhecer quando estávamos próximo à cidade de Estiva, havia uma tênue neblina. Utilizei a máquina fotográfica para registrar o momento.
Com o dia claro Wilson Bomfim passou pela passarela que passa sobre a Rodovia Fernão Dias, que liga Belo Horizonte a São Paulo. Naturalmente, o carro de apoio passou por um percurso diferente, utilizando um retorno mais adiante.

Faltava uma Maratona para concluirmos a Ultramaratona das Montanhas (42 Kms). Era pouco mais era muito!!!

Conferindo os gráficos de tendência (pace e altimetria), percebemos que a dupla diminuiu o ritmo entre os Km 45,5 e o Km 177,3.

Na prática o pace da dupla foi de 08:38 min/km, ganho de elevação de 3.750 metros, perda de elevação de 3.986 metros naquele segundo trecho.

Observem as curvas de tendência: azul (pace) e verde (altimetria)
Km 45.5 até o Km 177.3
Consolação - Km 195

Não sei se era o cansaço, mas daquele ponto em diante eu só enxergava subida e minhas forças exauriam vagarosamente. Comia alimentos e mais alimentos e o corpo continuava a dar sinal de fome e cansaço.

Só para se ter noção: em um curto espaço de tempo eu comi farofa com refrigerante, depois comi biscoitos de polvilho (salgado), quando parei novamente tomei água mineral e água de coco, não me conformando comi uma barra de proteína e nada disso resolveu.

Havia duas explicações plausíveis: 1) era o horário normal do almoço (próximo do meio dia) e 2) a quantidade de calorias gastas na atividade havia sido muito alta.

Me surpreendi, quando fui conferir no Garmin Connect a estimativa de calorias gastas ao longo da Ultramaratona das Montanhas.

Estima-se que juntos gastamos 14.140 calorias. A rigor, rateando para dois corredores, temos o gasto de 7.070 calorias no decorrer da prova.

Nesse trecho de 22 Kms, não havia competidores em nosso campo de visão, à frente ou atrás.

O ritmo diminuiu um pouco mais no final da prova. O terceiro e último gráfico de tendência apresentou os seguintes índices: pace 09:31 min/km, ganho de elevação 750 metros, perda de elevação 884 metros no terceiro intervalo.
Km 177.3 até o Km 217
Paraisópolis - Km 217

Às 13 horas e 07 minutos do sábado, dia 18 de janeiro de 2014, cruzamos a linha de chegada da Ultramaratona das Montanhas - BR 217, edição 2014. No resumo da Ópera: o ganho de elevação acumulado foi de 6.182 metros e a perda de elevação acumulada correspondeu a 5.900 metros.


*** Tempo de prova: 29:07:49 ***


Com a medalha no peito
Só o bagaço da laranja!!!
Quando cheguei em Guaíra/PR, na segunda feira, no final da tarde, recebi um beijo maravilhoso de minha esposa, que logo a seguir me fez uma pergunta, com um viés de extrema preocupação.

- Amor!!! porque você faz essas loucuras?

Respirei fundo, pensei por alguns instantes e didaticamente comecei uma explicação.

- Preta!!! imagina uma longa viagem, aonde você se despojará de algumas coisas ditas essenciais (controle remoto, tv por assinatura, telefone celular, microondas, computador, e outras e outras coisas).

- Imagina que nessa viagem, ora você estará sozinho (em absoluto silêncio) e ora cercado de pessoas (caladas, tagarelas, resignadas, comunicativas).

- Imagina agora, que naquele momento sozinho, nenhum outro pensamento habitará sua mente senão prosseguir adiante para concluir a sua missão.

- Imagina que naquele outro momento (cercado de pessoas), você enxergará como a sabedoria divina nos fez únicos e o quão importante são as pessoas à nossa volta.

- Imagina que tudo isso tenha sido fruto de um sonho antigo (ou quem sabe um sonho novo).

Fiz uma breve parada na explicação e soltei duas perguntas.

- Você tá acompanhando a minha explicação?

- Consegue perceber ou imaginar todas essas situações?

A resposta foi positiva.

- Pois então, eu não imaginei nada disso, eu vivi esses momentos mágicos.

- É indescritível a firmeza de propósito que enxerguei nos olhos de cada um dos que participaram da prova (sejam eles equipe de apoio, pacers ou atletas).

- É claro que existiram momentos de muita solidão onde enxerguei o quanto pequenos somos frente a uma natureza exuberante e soberana.

- É assim que me sinto agora.

- É maravilhoso sonhar e depois concretizar o sonho.
Camisa Finisher, Medalha e Bastão (Sonho realizado).
A propósito, que tal a gente acompanhar um vídeo que fala sobre "esses loucos que correm" e que foi postado em 2012, por Valéria Leal.


Quanto aos resultados da prova, consta na página oficial da BR 135 que:

A Equipe do Instituto Jaqueline Terto, ficou na 1ª colocação geral e na 1ª colocação da categoria quarteto - (16:29:30).

Estabelecendo novo recorde para a categoria solo, o atleta Oraldo Romualdo foi o 1º colocado na categoria solo e 14ª na colocação geral - (24:41:30).

Para muitos foi uma agradável surpresa ver um novo Campeão. Para aqueles que já o conheciam, era fato que ele reunia os pré-requisitos para uma estréia triunfal.

Em passado recente, recordo-me de dois excelentes resultados que por si só, já o credenciava a uma boa colocação, ou seja, ele havia vencido 02 provas que foram realizadas no Estado de São Paulo pela Ultra Runners Eventos, quais sejam: 50 Milhas de Morungaba, percurso de montanhas (80 Km em 08:51:21) e Day Night Run - 12 Horas, em Valinhos, percurso de terra, quase plano e dentro do parque da cidade (121,9 Km).

A Equipe Dri e Coruja foi a 1ª na categoria dupla e 11ª na colocação geral - (23:41:20).

A Equipe Ultras do Cerrado foi a 1ª na categoria trio e 4ª na colocação geral(18:52:30).

Nossa dupla Suor e Sangue - Equipe Bsb Parque, terminou na 5ª colocação na categoria duplas (TOP FIVE) e 25ª colocação na categoria geral - (29:07:49).

Nos vemos no caminho!!!

Dionisio Silvestre


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Seção eu estava lá!!!

Quem sabe o nosso fotógrafo de plantão, João Costa, capturou uma imagem sua!!! Clique na primeira imagem para ampliar!!!






Ornaldo Fernandes e Pedro Ivo
Wilson Bomfim





Hotel Mansão dos Nobres - São João da Boa Vista
Hotel Mansão dos Nobres - São João da Boa Vista



Lucas e Ari
Lucas e Ari

Terry Sentinella, Seatle, USA









Oraldo Romualdo e Carlos Gusmão












Jorge Cerqueira






Ornaldo Fernandes