quinta-feira, 7 de junho de 2012

O Sonho da Comrades Marathon - 2012

Esse blog nasceu inspirado na idéia de compartilhar amizades, experiências e emoções relacionadas à nossa capacidade de renovar as energias correndo ou correndo renovar as nossas energias.

Tudo começou em 2010, quando conheci dois ultramaratonistas aqui em Brasília, "Wilson Bomfim e Manoel Mendes". 

Surgia o sonho de correr uma Maratona. Pensei comigo, muita calma nesta hora, logo a seguir, com o apoio incondicional de minha alma gêmea guerreira, me lancei ao desafio dos 42 Km, sendo o primeiro passo a avaliação clínica completa para quem deseja tal feito.

De posse da liberação do cardiologista, o projeto foi encaminhado à prancheta, onde foi submetido à reengenharia de projetos, uma vez considerado que o motor propulsor era o SLV.4.6.STR

Assim, em 2011 participei das Maratonas de Brasília, Florianópolis, dos 51 Km da Volta ao Lago em Brasília (solo) e da Ultramaratona de Revezamento 300 Km - Aracaju a Maceió, essa última organizada pelos nossos irmãos da ACORJA, Lula e Gilmar Farias.

No final de 2011 amadureci a idéia de correr a COMRADES MARATHON 2012, sob o seguinte argumento: "89,3 é o tamanho de meu sonho".

Domingo, 03 de junho de 2012, madrugada gelada na cidade de Pietermaritzburg, 19.524 guerreiras e guerreiros de 68 países estavam reunidos para participar da 87ª COMRADES MARATHON.

A interação do grupo de Brasília com os demais brasileiros que estavam hospedados no Beach Hotel na cidade de Durban foi tão significativa que não posso deixar de mencionar seus nomes: Distrito Federal - "Wilson Bomfim (7ª), Mauri Pereira (5ª), Ornaldo Fernandes (3ª), Fábio Machado (1ª), Márcio Grace (1ª), Arlete Menezes (1ª), Nelson Junior (1ª), Dionisio Silvestre (1ª); São Paulo - " Maria Coelho (4ª), Schosiro Shibata (3ª), Pedro Bonfim (3ª), José Cerqueira (3ª), Viviane Cristina (2ª), José dos Anjos (2ª)", Mato Grosso do Sul: "Ana Gomes (7ª)".

Sob a temperatura de 7ºC, às 05:30h, foi dada a largada da prova com um tiro de canhão. Foi um momento sublime, repleto de receios, de sonhos, da euforia coletiva, das lágrimas que verteram naturalmente das faces dos participantes, após ouvir a música "shosholoza". Trata-se de uma canção originária do Zimbabue que se traduz como "seguindo adiante", todavia, popularizada na Africa do Sul, ao ponto de ser considerada o hino informal do país.

Sob a regência do mestre "Wilson Bomfim", avançamos na primeira parte do percurso de maneira natural e em ritmo cadenciado, algo próximo de 5:50/Km, às 08:08h passamos pelo primeiro ponto de cronometragem e filmagem em Camperdown, 26,8 Km de prova, ou seja, gastamos 02h 38min.

A demonstração de carinho e de orgulho dos Sul Africanos que estavam ao longo da rodovia era algo contagiante; nunca imaginei correr ao longo de 89 Km e jamais me sentir sozinho, algo diferente sempre acontecia.

Apesar das intermináveis subidas e descidas, o segundo trecho também foi percorrido sem maiores conflitos para a mente e o corpo; passamos pelo ponto de cronometragem e filmagem em Drummond às 09:54h, tendo percorrido 44,2 Km, distância um pouco maior que a Maratona, com o tempo de prova de 04h 23min.

A impecável distribuição de água, isotônico, frutas, batata cozida com sal, tornava a tarefa menos traumática pois a estratégia inicial contava com a suplementação com saches de gel de carboidrato, barras de proteínas e capsulas de sal.

Nesse estágio, encontramos os marcadores de ritmo para os atletas que almejavam concluir a COMRADES MARATHON sub 9 horas. A rigor, são atletas experientes que a organização da prova disponibiliza. Aqui, forma-se uma aglomeração enorme de corredores. Resolvemos em comum acordo nos incluir no ônibus sub 9, isso mesmo, o nome carinhosamente dado àquela aglomeração de atletas.

Winstow Park era o próximo desafio, 58,2 Km, temperatura amena, 22º C. Passamos nesse ponto às 11:19h com o tempo de corrida de 05h 49min. A minha avaliação é que esse ponto separa os homens dos meninos, pois faltam 31 Km para terminar. Ah é... vai explicar isso para as suas pernas naquela hora.

Esse é o momento de pura superação, manter pensamentos positivos uma vez que o corpo já começava a apresentar sinais de cansaço, o que era natural de se esperar naquele estágio da corrida.
Conflitos internos à parte, vamos avançar, próxima meta "Cowies Hil", à 18 Km do pórtico de chegada, ou seja, 71 Km percorridos com muito suor e sacrifício. Passei o ponto de cronometragem às 12:34h, com o tempo de 07h 04min. Nesse momento o mestre Wilson havia diminuído o ritmo e estava eu em corrida solo.

Ainda não refleti sobre a ausência de meu mestre, más, quase posso afirmar que teve um impacto psicológico, pois mesmo no ritmo do ônibus sub 9 horas, não me sentia com a plenitude das forças.

Talvez tenha deixado de me alimentar e hidratar da forma mais adequada possível. Naturalmente, é um momento crítico, as vias de produção de energia devem estar a pleno vapor.

Eis o conflito, me mantenho no meio do pelotão e tento me hidratar e alimentar ou fujo da aglomeração e reponho as energias com os alimentos possíveis. Optei pela segunda e não me arrependo. Faltando 14 Km para concluir a prova meu pensamento era o de preservar tudo aquilo que construí ao longo da corrida.

Próximo a um ponto de hidratação passei a caminhar, me hidratei, comi alimentos e mais alimentos de fácil digestão, em especial frutas, voltei a caminhar por 2 Km.

Argumentei comigo mesmo, será que já tenho energia disponível para iniciar um "fart lek", caminhar e correr leve. Vamos ver! - comecei a correr novamente com pequenos trechos. Era algo assim: "até aquela placa correndo... ok?" - meta superada, vou caminhar, "agora... mais um pouco de corrida" - legal! - Foram 5 Km nessa busca de superar os obstáculos e limites. 

Às 13:53h passei pelo ponto de cronometragem em Maryville, com o tempo de 08h 23min, agora faltavam tão somente 7 Km para concluir o desafio. 
Reiniciei uma corrida despretensiosa e aos poucos fui avançando, não havia o prenúncio das tão temidas câimbras, não haviam dores significativas, os pensamentos eram os melhores possíveis, lembrei-me da música "O Sol", do grupo Jota Quest, vamos curtir um trecho: 

Ei, dor!
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada
Ei, medo!
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada

E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou

Boa parte desse último trecho era quase toda plana o que contribuiu sobremaneira para o ritmo final, o estádio já podia ser visto e a emoção evidente. 

Quando pisei no gramado do "Sahara Stadium Kingsmead" passei a ter a certeza que o sonho estava próximo de ser realizado. Assim, sob forte emoção e agradecendo a todos que de forma direta ou indireta contribuíram na empreitada, completei a 87ª COMRADES MARATHON - VERSÃO 2012 às 14:36h, com o tempo de prova 09h 06min.
Vocês lembram que: "89,3 Km era o tamanho de meu sonho". Agora, "passou a ser o tamanho do meu ideal".

Para concluir necessito tecer duas considerações importantes: a primeira para agradecer o nosso eterno guru "Samuel Toledo", pessoa que possui um brilho tão intenso que deixei para mencioná-lo somente agora, em um momento especial. 

- "Amigo, que Deus continue te abençoando para que você possa cada dia mais, iluminar nossas trilhas e caminhos".

A segunda consideração deve-se ao fato de todos os atletas que foram citados nesse ensaio, terem completado a prova, alguns com grau de esforço um pouco maior, outros menor, porém, terminaram com louvor e extrema sabedoria.

Ah sim - já ia esquecendo, para os amigos de São Paulo "Viviane e Dos Anjos" fica o convite para 2013. Quero buscar a "Back to Back" - vocês poderiam me ajudar?

Forte abraços a todos,

Dionisio Silvestre

sábado, 10 de dezembro de 2011

300 Km - Aracaju (SE) x Maceió (AL) - Episódio 4


Nas três postagens anteriores narrei uma prova razoavelmente tranquila para a equipe SóCanelas x Bsb Parque, todos os integrantes haviam contribuído com três percursos de aproximadamente 15 Km, não haviam relatos de lesão, apesar do clima quente, da umidade e das inúmeras subidas e descidas.

Os obstáculos que estavam por se apresentar naquela tarde ensolarada de domingo, 26 de novembro de 2011, era algo indescritível, ou seja, paisagens maravilhosas como vocês verão adiante, más, com uma altimetria "ingrata".


Pedro Ivo começou o novo ciclo de participações do grupo, era o derradeiro trecho para cada um dos integrantes.

Sexto trecho, altimetria variando entre 04 e 46 metros, avaliação do manual técnico da prova "DIFÍCIL".

Início no Trevo das Palmeiras, passando por Jequiá da Praia e terminando ao lado de uma plantação de cana de açucar.

Nesse trajeto estive no carro de apoio e me emocionei muito com a garra do amigo Pedro Ivo, era calor demais, sem sombra de dúvidas, aquele finalzinho de prova exigiria mais atenção com a hidratação, a prova se tornava seletiva.


A seguir, Samuel Toledo correu o sétimo trecho, o cenário à nossa direita era maravilhoso, Lagoa Azeda, Praia do Gunga, um contrasenso terrível.

O Samuca, que ousadia minha heim! corria ao lado de um cenário paradisíaco e por pouco, muito pouco mesmo, não barganhou um Sítio em Pontal do Peba, veja a placa ao lado.

Diversão à parte, vamos ao que interessa, percurso avaliado pela organização da prova como "DIFICIL".

Eu queria saber o que era fácil naquela tarde! - altimetria variando entre 04 e 55 metros... sol + sol + sol + calor + asfalto quente.

Se fosse lá em Minas Gerais alguém logo falaria: "tem bas um trem dessnão".

Oitavo trecho, de cara comecei subindo pirambeira, pensei... táva muito bão para ser verdade.

Sofri dimaiiis da conta sô. Novamente, percurso "DIFÍCIL", altimetria mínima de 09 e máxima de 57 metros.

Para os que conhecem o litoral Alagoano o término do trecho ficava entre a Barra de São Miguel e a Praia do Francês... e eu correndo naquele sol...vai entender!





O final do percurso era no Posto Maré Alta na AL-101. Essa foto ao lado demonstra o cenário que nos envolvia.

Agora o asfalto ia pegar fogo juntando o calor fenomenal e a velocidade com que o tênis do Fernandes tocava ao solo.

No manual técnico, que foi elaborado levando em conta "pace" de 5min/Km, havia a previsão que o trecho seria corrido entre 15:00h e 16:15h.

Na matemática, como estavamos um pouco mais rápido que os 5min/Km, penso que ele iniciou sua corrida por volta das 14:50h.

A altimetria do percurso era favorável, variava entre 03 e 09 metros, porém, até mesmo o nosso valoroso atleta, padeceu com o calor intenso.

Ele correu entre o Posto Maré Alta e o Artesanato da Ilha em Marechal Deodoro. A maior preocupação da equipe era a retenção do trânsito naquele final de tarde na AL-101.

Wilson Bomfim, décimo e derradeiro trecho, que levaria a equipe SóCanelas x Bsb Parque a terminar os 300 Km na terceira colocação geral, perfazendo 24 horas e 02 minutos, pace global de 04:48min/Km.

Nessa toada, Passamos pela Lagoa do Mundaú, Praia da Avenida, Porto, Praia de Pajuçara.

O percurso era extremamente favorável, entretanto, lembrem-se: já havíamos corrido nada menos que 285/290 Km.

A superação e a firmeza de propósito são os predicativos que contextualizam essa última tarefa.


Era final de tarde quando concluímos o percurso da Ultramaratona de Revezamento 300 Km - Aracaju x Maceió. Afirmo e reafirmo: "foi uma experiência inesquecível".

Ao longo das narrativas, talvez eu possa ter pintado os cenários por demais rebuscado, más, você só conseguirá entender o que vivenciei, o que compartilhei, quando estiver no seio dos corredores que repetirão a dose em 2012 ou que estarão se aventurando pela primeira oportunidade.

Se o criador permitir e meus parceiros de corrida assim desejarem, retornaremos em 2012. Que Deus abençôe e ilumine o caminho de todos os gladiadores que participaram dessa saga.

Foto: Gilmar Farias


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

300 Km - Aracaju (SE) x Maceió (AL) - Episódio 3

Domingo, 27 de novembro de 2.011, café da manhã na cidade de Penedo/AL, servido às 04:00h pelo Hotel São Francisco, momento de confraternização entre os atletas das 13 Equipes participantes. Era a hora de repor um pouco mais as energias consumidas. De toda a sorte, conforme orientação fornecida pelos Coordenadores do Evento no Congresso Técnico, os participantes se deslocaram para a Praça próximo às margens do Rio São Francisco e posteriormente para o ponto de largada que ficava distante cerca de 17 quilometros da cidade.
O reinício da prova estava marcado para acontecer pontualmente às 05:00h, aqui nasceu uma cena "pitoresca"... a determinação, a expectativa de superação, a vontade de correr, aquele gostinho de quero mais... eram tão expressivos entre os participantes que alguns não conseguiram conter a energia que irradiava de seus corpos. Sabe o que aconteceu? - Não?
De forma inesperada, entre os atletas escalados para o primeiro trecho de 15 Km, alguns se lançaram a correr assim que desembarcaram dos veículos de apoio. Não consegui captar esse flagrante, uma vez que me encontrava no meio do comboio de veículos, porém, as próximas fotos demonstram a preocupação da Coordenação quanto à hilária, intepestiva e inesperada largada. Veja Lula Holanda, braço estendido, pedindo o retorno dos corredores. Foi necessário nova largada, agora com a chancela da organização. Assim, transcorrido poucos minutos após as 05:00h, realizou-se a partida "na vera".. para o último trecho de 150 Km.


Para o primeiro trecho, Pedro Ivo, SóCanelas x Bsb Parque, com extrema sabedoria, aguardou o aquecimento dos pulmões e da musculatura para então desenvolver o pace empreendido no dia anterior, algo em torno de 4:45/Km. Aos poucos, avançou do pelotão intermediário para o grupo de 5 Equipes que, naquela hora da manhã, avançavam para a cidade de Piaçabucu tendo como cenário a vegetação litorânea no Estado de Alagoas.
A transição entre o 1º e 2º atleta deu-se dentro da normalidade, sem maiores delongas, passando o mestre Samuel Toledo a correr com muita desenvoltura no sentido Feliz Deserto, Coruripe na AL-101. Ele estava tão seguro do que havia desenhado para a prova naquele dia, que resolveu testar o fôlego de um dos integrantes da Equipe SóCorro Armazém da cidade de Maceio/AL, pois bem, Samuel Toledo travou dura batalha com o Rafael pela quarta colocação, porém, no derradeiro trecho de seus 15 Km, já desgastado deixou escapar a quarta colocação e entregou-me a braçadeira na quinta colocação do dia.
Foto: Gilmar Farias/Fred Barbosa
Foto: Gilmar Farias/Fred Barbosa
Um turbilhão de pensamentos habitavam minha mente quando iniciei o percurso na entrada de Feliz Deserto! Aperto o ritmo ou mantenho o que já temos? -  Naquele instante, a estratégia era a alma do negócio, imediatamente lembrei-me que não bastava correr somente aquele primeiro trecho, estava reservado para a parte da tarde, muito calor e um paredão de subidas. Nesse cenário, visualmente, acompanhei de longe o amigo Itamar, SóCorro Armazém, por um longo tempo, todavia, aos poucos vi a diferença diminuir paulatinamente até o momento em que passamos a ser a 4ª Equipe.
Pensei comigo, agora a empreitada rumo à 3ª colocação será exclusiva do Fernandes, porém, o atleta André da Equipe Pé no Chão, inesperadamente foi acometido de lesão e foi substituído faltando pouco menos de 3 quilometros para completar o trecho, apertei o passo e consegui chegar na 3ª colocação.

Hora da transição próximo à Subestação Gasoduto Paru - BR, local relativamente deserto. Cadê minha equipe? - encontrei somente o Professor Wilson Bonfim que pegou a braçadeira, abaixou para amarrar o tênis, passando a correr algum tempo depois... ahhhhhhhhhhhhhhh... o novato pirou com aquela cena. O que aconteceu? onde está o Fernandes? passou mal? voltou para Brasília? xxxxxxxxiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii... a vaca estava indo pro brejo.
Nada disso, eles estavam comprando gelo... mas, covenhamos... justo agora que iríamos retomar a 3ª posição, foi demais para este simples mortal eivado de defeitos e manias, não me conformei naquele instante, depois, eles tiraram "sarro" em cima da minha indignação. Serviu para descontrair o grupo.




A descontração foi tamanha que o Fernandes correu, gastou a energia necessária, passou pela Pousada Pontal Pôr do Sol, fez zigue zague no trevo de acesso a cidade de Coruripe, voltou para o carro de apoio, descansou e ainda me pediu encarecidamente que tirasse essa foto ao lado... puro saudosismo lembrando a terrinha. (rsrsrsrsrsrsrs)




Para concluir a primeira tarefa do dia, retornou, agora dentro do planejamento estratégico, nosso querido Wilson Bonfim, correu como sempre, passadas firmes, cadenciadas não dando chance às outras equipes. Estava consolidado o ritmo de prova da equipe. Aqui encerra-se o relato da parte da manhã, o pior estava por vir, muito calor e subidas inimagináveis. Volto em breve para contar como foi.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

300 Km - Aracaju (SE) x Maceió (AL) - Episódio 2

Sábado, 25 de novembro de 2011, primeiro dia de prova, iniciavamos o sexto trecho no Posto BR, localizado no trevo da rodovia, entrada para a cidade de Carmópolis. Em nosso grupo havia certo temor quanto ao trânsito intenso da BR-101, muitos caminhões trafegando, todavia, Pedro Ivo elegantemente lançou-se a correr em um trecho complicado e difícil, primeiro pelas constantes subidas e descidas, segundo pelas obras que aconteciam no trajeto. Nada disso o impediu de concluir com maestria. Essa foto abaixo foi tirada em um dos pontos de hidratação! - Ah sim... já ia esquecendo, altimetria variando entre 09 e 106m.

Vamos seguir adiante com o trecho 7, Samuel Toledo, enfrentou talvez a temperatura mais alta do dia. A altimetria do terreno indicava variação entre 50 e 161 m, percurso difícil e ainda na BR-101. A conclusão do percurso se dava em frente ao Posto Petrox, próximo ao Posto da Polícia Rodoviária Federal. Em mais uma oportunidade o Lider da Equipe nos contagiou com sua energia sempre positiva, embora os obstáculos se apresentassem cada vez mais complexos.
A prosa entre os atletas que estavam no apoio ficava cada vez mais interessante, o Professor Wilson Bomfim sempre introspectivo, o veloz Fernandes gastando a energia que lhe sobrava, o determinado Pedro Ivo narrando-me as provas que participou recentemente, eis que novamente surgia o meu trecho, início ainda na BR-101 e pouco depois dirigindo-se, ou melhor correndo-se pela SE-335. Na minha avaliação o vento forte que estava ao contrário do sentido dos atletas, foi o maior obstáculo a ser superado.
Nessa atmosfera que encorajava os integrantes da Equipe SóCanelas x Bsb Parque, chamamos o Fernandes para consolidar de vez o ritmo que haviamos estabelecido na 3ª colocação, ou seja, "pace" aproximado de 4:45/Km, algo impressionante considerando a faixa etária dos integrantes. A velocidade empregada pelo Fernandes era tão significativa que a câmera fotográfica não conseguiu acompanhá-lo, só consegui tirar sua foto quando estavamos atravessando o Rio São Francisco de Balsa em direção à cidade de Penedo/AL e olha que ele, com esse tamanho todo, também enfrentou um vento contrário.
O último percurso do dia, que terminaria às margens do Rio São Francisco, seria de responsabilidade do meu amigo Wilson Bomfim, a temperatura já se apresentava amena, percurso favorável ao corredor, seguindo pela SE-335, entrando à esquerda no trevo de acesso ao Município de Neópolis. A foto abaixo demonstra que os integrantes da Equipe chegaram bem, não havendo relatos de lesão ou fadiga muscular. Nesse cenário maravilhoso encerrou-se o 1ª dia do Desafio, era chegado o momento que considero super importante em eventos de longa duração: "repouso + alimentação", sem esses dois ingredientes nenhum corredor consegue manter a performance.

 See you later!!!!!!!!!!!!!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

300 Km - Aracaju (SE) x Maceió (AL) - Episódio 1

A proposta desse espaço foi de compartilhar experiências no curso das corridas, pois bem, eis que surge a primeira oportunidade. Narrar ou tentar demonstrar em 04 episódios, a dimensão do que foi a Ultramaratona de Revezamento 300 Km -  Aracaju x Maceió, realizada nos dias 25 e 26 de novembro de 2011.

O evento foi simplesmente maravilhoso. Vamos ver porque? - Desembarquei na tarde de sexta feira, 24.11.2011, no Aeroporto de Aracaju, cidade onde foi dada a largada da prova. Estavam inscritas 13 Equipes, sendo cada grupo formado por 5 corredores, guerreiros, gladiadores, desbravadores... não sei ao certo qual a nomenclatura utilizar.

O certo é que no dia 24 ao longo do Congresso Técnico já podia ser percebido no semblante de cada um daqueles 65 atletas escalados para o desafio, aquele olhar de realização, aquele semblante determinado, aquela vontade de superação, a troca de experiências e a consequente confraternização tão característica dos corredores.

De forma didática os companheiros da ACORJA (Corredores da Jaqueira) - Lula Holanda e Gilmar, explanaram como seriam os 20 trechos de aproximadamente 15 Km.

O Desafio começou exatamente às 05:00h de sábado, 25.11.2011, em frente aos Arcos na Praia de Atalaia, Aracaju, Sergipe...o sol já despontava no horizonte. confira a foto das EQUIPES que toparam o desafio: Os Ultras, Magnun Runners, Loucos do Asfalto, Relâmpago (Recife/PE), CJaguar, BeneRunners (Jaboatão dos Guararapes/PE), SóCanelas/BSB Parque (Brasília/DF), SóCorro Armazém, Devagar e Sempre, Pé no Chão, Passo no Futuro (Maceió/AL), Selva Adventure e Norcon (Aracaju/SE).



Brasília esteve representada pela seguinte Equipe: Capitão Samuel Toledo, dos veteranos Pedro Ivo e Wilson Bonfim, do veloz Fernandes e do novo integrante Dionisio Silvestre (eu). No meu conceito foi a realização de um sonho.


Coube ao determinado Pedro Ivo iniciar o primeiro trecho em frente aos Arcos na Orla da Praia de Atalaia, no Munícipio de Aracaju, esse percurso passou pelo Farol, Mercado Municipal, Ponte Estaiada, chegando ao primeiro ponto de transição em Barra dos Coqueiros.

Foto: Gilmar Farias
A característica de um Capitão de Equipe é a firmeza de propósito... e isso não faltou ao meu amigo Samuel Toledo, vejam abaixo a determinação, a vontade como recebeu a pulseira e desbravou o Município de Barra dos Coqueiros.


Substituí o nosso Capitão e logo de cara enfrentei a rebeldia do relógio Garmin que insistia em reiniciar... parecia maluco... não sabendo onde estava... pouco tempo depois passou a funcionar, marcou cerca de 14 Km do trecho, que, em tese deveria ser de 15 Km. Trecho com visual maravilhoso das dunas.

Foto: Gilmar Farias

O quarto trajeto do dia seria de responsabilidade de nosso veloz Fernandes... o menorzinho da Equipe. Esse garoto parece que nasceu com dois difusores no local dos pulmões... corre leve, solto, muito coordenado nas passadas. As vezes parecia que flutuava... nessa foto abaixo ele sequer toca no solo!!! Esse trecho foi percorrido entre o Trevo de Pirambu e a entrada da Fazenda Timbó, muito difícil...


O Quinto Elemento (não é trocadilho com o filme) era nada mais do que o Professor Wilson Bomfim (97 Maratonas, 06 Comrades, 01 Ultramaratona de 24 horas onde percorreu 150 Km). Foi a partir das conversas que tive com o Professor e com o Manoel Mendes, outro insuperável Ultramaratonista, que resolvi alçar vôos maiores. Esse ano, respeitando a minha inexperiência e ouvindo os conselhos dos mestres concluí as Maratonas de Brasília (03:21) e Florianópolis (03:16), não deixando de mencionar o marco inicial que foi os 51 Km da Volta ao Lago em Brasília (05:03). Vou reverenciá-lo postando uma foto emblemática na BR 101... o cabra enfrentou até as carretas (ufaaaaaa...) Munícipio de Carmopólis.


Assim foram os primeiros 75 Km percorridos pelos integrantes da Equipe SóCanelas x Bsb Parque, ou seja, metade da tarefa do sábado havia sido concretizada, todos estavam entusiasmados e dosando as energias para o desenrolar do dia.

Em breve volto aqui para comentar a parte final daquele primeiro dia (sábado, 25.11.2011)